MINAS E 64

Agora que a Revolução de 64 começa a pertencer mais à história do que  as paixões políticas ou ideológicas, com a farta literatura e o acesso  aos arquivos dos jornais por via digital, algumas verdades  inquestionáveis começam a se consolidar nas pessoas que cultivam mais a história do que as emoções.

Murilo Prado Badaró, pesquisador e escritor, acaba de lançar o seu  Bastidores de 64, que oferece bom material para avaliação e mostra a  presença mineira decisiva no movimento. Realmente, a união de Minas  foi um fato inquestionável e a decisão do governador Magalhães Pinto e  do General Mourão Filho, comandante da guarnição federal no Estado,  foram determinantes para provocar as adesões que fizeram o movimento  vitorioso em 48 horas, com o então presidente da República abandonando  o país.

A classe política mineira, em pelo menos quatro quintos da sua  representação, esteve ao lado do movimento desde a primeira hora. Até  no PTB, de Jango, não faltou apoio, como o do deputado Waldomiro Lobo,  de saudosa memória. Na Assembleia, outros valores se destacaram, como  Aníbal Teixeira, do PRP, Athos Vieira de Andrade, do PDC, Murilo Badaró e José Maria Alkmin, do PSD, além de todos os parlamentares da  UDN. A bancada federal foi a mais atuante, a começar por Bilac Pinto,  que denunciou a conspiração da esquerda, mas com Oscar Corrêa, José  Monteiro de Castro, Elias de Sousa Carmo e muitos outros.O empresariado mineiro foi presente e muito atuante, com Fábio de  Araujo Mota, da FIEMG, Josaphat Macedo, da FAEMG, Newton Veloso,  Gabriel Bernardes, Jonas Barcellos ? o pai ?, Augusto de Lima Neto e  Evaristo de Paula. O meio intelectual, com Alberto Deodato (também  deputado), o grande orador e parlamentar Abel Rafael Pinto, do PRP,  Waldemar de Almeida Barbosa, Salomão de Vasconcellos, Victor Magalhães  Figueira e Lima Junior.

Está patente que a união dos generais Mourão Filho, de Diamantina, e  Luiz Carlos Guedes e a tropa mineira da PM, com o coronel José Geraldo  de Oliveira, apoiados pelo governador, precipitou os acontecimentos ao  colocar as forças políticas e os militares na obrigação de  apoiar o  movimento, pondo fim a crise e a ameaça de comunização do Brasil. Os  arquivos existentes, além dos jornais da época, confirmam que, sem a  decisão de Minas, o desdobrar da crise que o Brasil vivia seria  imprevisível.

Minas ainda deu todos os vices civis do período militar ? Alkmin, com  Castelo Branco, Pedro Aleixo, com Costa e Silva, e Aureliano Chaves,  com João Figueiredo. E forneceu ministros de relevância, como Milton  Campos, Pedro Aleixo, Magalhães Pinto, Rocha Lagoa, Camilo Penna, José  Israel Vargas, Ibrahim Abi-Ackel, Eliseu Resende, Alysson Paulinelli e  Murilo Badaró, entre outros.

Não há mais como se negar que a Revolução foi um movimento que reuniu  as forças vivas da nacionalidade e que coube a Minas a  responsabilidade de avaliar o momento certo de sua deflagração.

 

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