Bolsonaro como ele é

O que faz da política e da história temas sempre fascinantes é que,  como dizia D. Berenice Magalhães Pinto, mulher do grande governador de  Minas, chanceler, presidente do Senado Magalhães Pinto, são como uma  nuvem: cada vez que você olha, tem formato diferente.

O presidente Bolsonaro foi eleito em fenômeno eleitoral inédito na  história republicana. Não tinha estrutura partidária, recursos  financeiros, viajou pouco na campanha, interrompida pela facada que

levou, e deu de lavada no poder econômico do PT ? hoje, sabe-se a sua  dimensão e a origem ? e estruturas partidárias poderosas como a do  tucano Alckmin, do neobrizolista Ciro Gomes e até do ex-banqueiro e  ministro dos governos do PT Henrique Meirelles, entre outros.

Seus 57 milhões de votos não vieram de sua militância corajosa e  correta pelos valores do movimento feito pelos militares em  consonância com a sociedade civil em 64. Agregou a revolta popular com

a corrupção, com o ?toma lá, dá cá?, com presidentes ideológicos,  demagógicos de esquerda e na sucessão com um político que não quis  abrir mão de comparsas antigos, construir um belo governo e refazer a  biografia. Foi mais do que um voto, foi um grito e a manifestação do  desejo de uma nova Era.

O inexperiente Jair Bolsonaro a todos surpreendeu formando uma  excepcional equipe, com base no mérito e na vida ilibada. Ditou ainda  uma orientação sábia, correta e promissora na abertura econômica com  vistas à arrumação das contas públicas e à retomada do crescimento  econômico. Sua contribuição para assegurar continuidade no combate à  corrupção esbarrou no Congresso e no próprio Judiciário. Mas vem  atendendo à Nação com meses de governo sem a mácula da corrupção.

Os problemas surgiram da falta de habilidade para administrar  conflitos internos no governo, o que o levou a várias substituições,  com naturais desgastes. E a presença muito ostensiva dos filhos nos

rumos do governo. Não teve a sensibilidade de ceder ou de atender a  ponderações de leais auxiliares na questão da indicação do filho para  embaixador nos EUA, por ferir justamente a vontade popular de afastar  o nepotismo da vida pública. Deixou transparecer certo ciúme da  popularidade do ministro da Justiça e, agora, do da Saúde, esquecido  que ele foi o responsável pela montagem de equipe que vem agradando a  sociedade. E não consegue controlar a belicosidade de suas declarações  e dos filhos, criando desgastes desnecessários. No dia da reunião com  os governadores, horas antes, fez críticas públicas a dois deles, de  importantes estados. Não faz sentido este comportamento em presidente

da República, embora suas observações possam ter fundamentos em fatos.

As forças vivas da sociedade precisam conviver com este comportamento  que não é o ideal, mas o presidente poderia colaborar ouvindo seus  auxiliares mais independentes, atento à opinião pública em seus  segmentos mais esclarecidos e olhar o que se passa no mundo  desenvolvido. A campanha acabou e a outra vai depender dos resultados  do seu governo, incluindo seu comportamento. Tem tudo para dar certo,  pois o que tem atrapalhado basicamente é o que fala e não o que faz.

O mais grave hoje é realmente o desgaste das divergências internas  chegarem ao grande público. A oposição não tem discurso nem  lideranças, os políticos que ocupam posições institucionalmente

importantes não têm importância.

É preciso alterar a agenda presidencial. O Brasil precisa de boas  notícias, obras a serem retomadas e que estão sendo alvo da ação de  ministros como Tarcísio e Bento, e que ele poderia acompanhar e visitar. E deixar a resposta aos ataques nem sempre leais aos políticos e jornalistas de bem.

Este governo tem de dar certo. O Brasil não pode esperar nem correr o  risco da volta dos malfeitos.

A conversa do Presidente com o ministro Mandetta seguido do  pronunciamento de quarta-feira foram do Bolsonaro Estadista. Que não

tenha uma recaída!

 

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