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O crescimento do eleitorado nos países com largas faixas da população de baixa cultura vem revelando uma classe política vulnerável à corrupção. Países que viveram anos de regimes autoritários, passaram a conviver com altas taxas de corrupção com a abertura política. Também a troca de guarda nos grandes grupos empresariais, hoje corporações ou entregues a executivos, facilitou a perda de controle, até então sob a vigilância dos grandes acionistas. A renovação em nome de uma suposta democratização não tem sido feliz. O fenômeno da corrupção não é privilégio mais da América Latina; está muito presente nas democracias europeias. Nos tempos de Charles de Gaulle, Thatcher, Franco, Salazar e militares no Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, a corrupção era pouco relevante. Hoje os escândalos se sucedem e, para garantir a impunidade, envolve o poder Judiciário, que colabora com morosidade e preciosismos jurídicos. No Brasil, a “operação lava-jato” que julgou e condenou inclusive um ex-presidente, Lula da Silva, não podendo negar evidências e provas que embasaram condenações, anos depois das sentenças, chegou-se à conclusão de que os julgamentos deveriam ser anulados, pois os processos correram em instâncias indevidas. Anos de processos, condenações, dinheiro devolvido, confissões, e tudo jogado no lixo. E Lula voltou à Presidência depois de mais de um ano na cadeia.
O Brasil revive estes momentos de perplexidade com o suceder de revelações no caso do Banco Master, sendo agora envolvendo nominalmente importantes políticos, como o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, o terceiro partido nacional. Mesada de 50 mil euros, pagamento de viagens milionárias e em aviões privados foram revelados. Junta-se aos pagamentos de “honorários advocatícios” milionários a parentes de ministros da Suprema Corte.
Este será o tema das eleições gerais de outubro. E a abstenção será incentivada pelo descredito da classe política.
VARIEDADES
· Lula da Silva em tempo de campanha eleitoral, na viagem a Washington, ficou hospedado na Embaixada do Brasil e não levou comitiva grande para as horas que ficou para seu almoço com Trump. A primeira-dama também não foi.
· O cantor Ed Mota deu mais uma das suas ao provocar tumulto em restaurante no Rio. Ed Mota em recente excursão na Europa se negou a cantar em português para “imigrantes analfabetos”. Vai responder a Justiça.
· Com grande produção de produtos de chocolate, o Brasil importa um quinto do que sua indústria usa para o mercado interno e exportação. A Meta agora é a autossuficiência até 2030.
· O órgão oficial de estatística, IBGE, concluiu que, em 2025, a renda dos mais ricos no Brasil cresceu mais do que a dos mais pobres. O discurso de Lula da Silva sempre foi denunciar a injusta distribuição da renda no país. Mas a esquerda ignora que sem empresas lucrativas e com produtividade não se pode pagar mais ao trabalhador.
· Dois brasileiros residentes em Portugal, Ibsen Noronha e Mauricio Corrêa da Veiga, lançaram em Salvador dois livros sobre D. João VI, que contou com o apoio da Associação Comercial da Bahia, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, centenárias instituições baianas, Academia de Letras Jurídicas da Bahia, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Bahia), Gabinete Português de Leitura e do Consulado-Geral de Portugal.
Publicado em: Semanario Sol pt 16/05/26
