A CAMINHADA PARA A CRISE

O resultado das eleições na Espanha aponta para uma inevitável e grave crise econômica e social em importante economia da União Europeia. A opção por uma política de esquerda vai agravar a questão do emprego, da dívida, do orçamento. As grandes empresas já investem fora do país, fugindo de leis laborais irresponsáveis e impostos que comprometem a lucratividade e as condições de competir no mercado internacional.

Tornará a situação ainda mais complicada a instabilidade que o separatismo provoca, sob certa tolerância das esquerdas. E justamente nas regiões de maior peso na economia do país. Esta instabilidade pode afetar, inclusive, o setor do turismo, de importância significativa na economia e no emprego.

Ficou evidente que falta ao país lideranças políticas e o trono está visivelmente acuado e até mesmo desrespeitado. Não se trata de uma opinião, mas, sim, de uma constatação.

Curioso é que existe um consenso mundial de que crescimento econômico, com justiça social e ordem, passa por um sistema capitalista forte, no qual se geram empregos e renda, com regime de meritocracia. Apesar dos escândalos de corrupção, em todos os lados, a situação permanece a mesma, com empreguismo desenfreado no setor público, além de uma escalada salarial incompatível com a riqueza produzida.

Tudo isso é muito importante para Portugal, que tem no vizinho seu maior parceiro comercial. Mas as dificuldades parecem semelhantes. Portugal, por causa dos impostos, das leis sociais, da tolerância com as greves e a lentidão na apuração de casos de corrupção, pode sofrer consequências sérias. A dívida não suporta uma economia estagnada e uma legislação que afasta, ao invés de atrair investimentos. A burocracia é grande e cara. As câmaras se tornaram os maiores empregadores do país e os que melhor remuneram seus servidores. E pouco produzem, como se sabe. Multar veículos , uso e abuso de radares ,  cobrar estacionamento em quase todas as ruas, são novas modalidades de arrancar dinheiro do cidadão.

O que Portugal fez para atrair mais estrangeiros para o imobiliário e opção de residência? E para receber empresas que estão deixando Londres? A harmonia entre capital e trabalho é precária, com as greves constrangendo empresas e preocupando a população pelos reflexos de vida das famílias. Nem governo, nem oposição e nem a sociedade  parecem reagir .

Não é uma avaliação pessimista, mas, sim, realista. Os projetos mais importantes estão envolvidos em debates intermináveis. O transporte ferroviário, além de não receber investimentos, apresenta prejuízos crescentes, em recursos financeiros e em serviços prestados à população e à economia. Inconcebível a falta de iniciativas realistas, diria até que modestas, para melhorar a linha que liga Lisboa ao Porto, que, ganhando 30 minutos apenas, já poderia competir com o transporte aéreo. E os funcionários, bem pagos e protegidos, ainda reclamam e ameaçam greves.

A sociedade parece indiferente a políticas que inibem o investimento, que punem quem ousa empreender. A pauta do grande debate nacional é sobre temas que invadem o arbítrio das famílias na educação e informação de seus filhos. Não é por aí que o futuro deve ser encarado.

Mão de obra mais preparada e remunerações melhores, novas empresas, agricultura apoiada e incrementar indústrias no interior custam menos do que os desperdícios no setor público, de gestão ineficiente. Olhar e observar o outro lado da fronteira pode ser uma boa ideia.

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