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Este quadro passional que está presente na política brasileira contemporânea impede que muitos tenham reflexões sobre o comportamento dos militares ao longo da história do Brasil. Este fenômeno faz com que muitos façam cobranças indevidas e injustas.
Todas as intervenções das Forças Armadas no período republicano foram em nome da vontade popular, da defesa da ordem pública e do aprimoramento democrático; nunca por atender a grupos civis ou militares. Talvez, e por haver controvérsias registradas, o único golpe de estado tenha sido a Proclamação da República, distante do povo que tomou conhecimento da deportação da Família Imperial quando esta já estava em alto-mar.
Em 64, o movimento civil-militar atendeu à vontade da Nação e à preservação da democracia ameaçada pela infiltração de comunistas na máquina pública e a desordem já instalada no país que vivia greves e atos de indisciplina militar. E nunca se deixou de levar ao Congresso Nacional o nome dos presidentes.
Hoje poderia, sim, de forma impessoal e cordial, se impor um freio no revanchismo que procura alimentar sentimentos negativos na sociedade em relação aos anos em que se fez o Brasil progredir em ordem, sem corrupção, nepotismo, queda de qualidade nos quadros do Judiciário. E um projeto de desenvolvimento econômico que nos fez saltar da 46ª posição entre as economias mundiais para a oitava. O maior programa social do país foi o Funrural, iniciativa do presidente Médici.
Exceto o grupo mais chegado ao derrotado de 2022, minoritário nos segmentos de centro-direita e direita, as urnas eletrônicas são reconhecidas, com 11 eleições sem dúvidas e, mesmo em 22, elegendo ampla maioria de parlamentares do centro e direita e governadores dos maiores estados. As Forças Armadas foram chamadas a auditar e nada tiveram a opor. Mesmo assim, o então presidente, segundo amplamente noticiado, exigiu que a nota não excluísse a possibilidade da existência de fraude, não encontrada na auditoria.
A vitória apertada de Lula foi resultado de erros políticos crassos do então presidente no trato da pandemia, nas relações com políticos, jornalistas e empresários das mídias. E foi incapaz de fazer alianças, parte do jogo democrático desde sempre, e em todo mundo. Bolsonaro foi incompetente até de ter um vice com votos, como Lula soube fazer convidando um antigo e severo opositor, como se verifica nas gravações de campanhas anteriores. E no segundo turno não recebeu o apoio de nenhum dos principais concorrentes ao pleito. Lula os atraiu e ganhou.
Esta constatação não anula a realidade de que Bolsonaro fez um bom governo, com uma equipe de melhor nível do que a atual, em governo a desejar em todos os aspectos.
O comportamento das esquerdas, que vem vencendo as eleições presidenciais recentes – cinco em seis das últimas – não justifica relativizar os erros do centro e da direita.
O que une patriotas não são lideranças nem ideologias, mas a defesa de valores. Sobre os recentes acontecimentos dois ilustres pensadores democratas e conservadores, Rodrigo Constantino e Felipe D’Avila, têm tido postura impecável.
O importante parece ser uma união que some, que faça com que os 38 milhões que não votaram em 22 saiam de casa. A se insistir em nome com rejeição, e suspeição, será elevar este número para 50 milhões. Esta é a postura da maioria silenciosa em todo mundo. Não embarcam nas polarizações e nos grupos que fazem política com agressões.
A postura dura em alguns casos de Bolsonaro poderia ter sido temperada, pois o malefício maior na ocasião era sua derrota.
Não custa nada refletir sobre a importância de ganhar e não de fazer o jogo do adversário estimulando a abstenção.
Cabe aos militares defender valores, instituições e o respeito às regras, e não intervir. O prestígio das Forças Armadas vem daí. Reagir neste momento só ao revanchismo.
A Constituição, no artigo 142, prevê o socorro em caso de necessidade, sem conotação partidária ou de seguir lideranças políticas.
Quem sabe e pode faz a hora,
Publicado em : Jornal Inconfidência
