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Palestra do executivo José Gustavo de Souza Costa, com larga experiência no setor de transportes, na Confederação Nacional do Comércio, traçou um quadro realista dos transportes urbanos no Brasil, a partir do conhecimento da região metropolitana do Rio de Janeiro.
Dirigente por muitos anos do Metrô do Rio e dos trens, ele pôde constatar como a falta de entendimento entre entes públicos prejudica soluções naturais que poderiam, a baixo custo, melhorar a mobilidade da população e racionalizar o consumo de combustíveis poluentes. A integração correta dos cartões de uso dos trabalhadores seria desejável para se obter também razoável economia aos cofres públicos.
Os trens suburbanos do Rio dão um exemplo do retrocesso por fatores que dependem exclusivamente do poder público. Não se pode aceitar que o modal, que já chegou perto de um milhão de passageiros por dia, esteja hoje com menos de um terço. Assim como a duração das viagens. Esta situação, em parte, deve ter sido agravada pela falta de segurança aos passageiros pela presença inconveniente de pessoas, pela qualidade da própria via e pelo roubo frequente de cabos. Problemas alheios à operadora do sistema por serem casos policiais.
A integração do metrô com os ônibus parece ter sido prejudicada pelas esferas diferentes de poder, sendo o transporte via trilhos estadual e o rodoviário no Rio municipal. Assim, Souza deu como exemplo o caso da ligação da Urca a outros bairros da Zona Sul, que é feita por ônibus, quando poderia ter uma conexão com o metrô, com o mesmo custo.
O uso de barcos na ligação com Niterói também tem registrado número inferior de passageiros, sobrecarregando a Ponte Presidente Costa e Silva desnecessariamente. E sem falar na extensão da ligação para as cidades no fundo da baía como Mauá, usada pelo Imperador Pedro II nos seus deslocamentos a Petrópolis, e São Gonçalo, a menos de um quilômetro de Paquetá.
A importância de todos no uso racional dos modais é prioridade que atende à economia, ao social e à qualidade de vida da população menos favorecida e mais sofrida.
Publicado em: Correio da Manhã 22/08/25