Brasil 200 anos

Apesar de sua formação militar, o presidente Jair Bolsonaro já mostrou ter pouco interesse pela história e a cultura, dois pontos fracos de seu governo. Perde uma grande oportunidade, inclusive pela coincidência dos 200 anos da Independência coincidirem com as eleições em que ele sonha com a reeleição.

A esta altura já deveria haver uma agenda para o evento. Afinal, quando dos 150 anos, em 1972, o presidente Médici promoveu um conjunto de iniciativas de grande repercussão, sendo ponto alto a entrega dos restos mortais do Imperador Pedro I.

A doação de Portugal dos restos mortais de seu Rei D. Pedro IV chegou ao Brasil em barco da Marinha de Portugal, conduzindo o presidente da República, Almirante Américo Tomás. Inúmeras publicações enriqueceram a bibliografia sobre aqueles anos em Portugal e no Brasil. Entre os quais uma reedição da troca de cartas entre D. João VI e o filho que deixara no Rio de Janeiro como Príncipe Regente. Estas cartas foram fotografadas e selecionadas pelo historiador Augusto de Lima Júnior, em 1940, quando chefiava a missão brasileira para a exposição do Mundo Português, também conhecida por Exposição do Duplo Centenário.

A descendência do ilustre Imperador do Brasil e Rei de Portugal está, inclusive, representada na Câmara dos Deputados, na pessoa do deputado Luís Felipe de Orleans e Bragança, da França, pelo senador Louis-Jean de Nocolay. No Parlamento brasileiro, existe desde então um membro da família Andrada, herdeiro do chamado Patriarca da Independência, por ter sido, com a Imperatriz D. Leopoldina, a grande influência sobre D. Pedro. Mas D. João VI teve sua participação, quando, em 1821, ao regressar a Lisboa, dizer ao filho que, se fosse o caso, fizesse a separação e mantivesse a Coroa.

A data da separação do Brasil do Reino Unido a Portugal, mas que entrou na história como Independência, mereceria uma oportunidade de um conjunto de importantes medidas no âmbito dos PALOPs, com a presença de seus altos dirigentes em Brasília. Algo que poderia despertar, inclusive, uma presença de todos na mídia internacional. O evento poderia reunir, é claro, outros chefes de Estado de nações amigas a serem convidadas.

Um acontecimento político dessa dimensão pediria um tempo para ser incluído na agenda dos países envolvidos. Mas até a diplomacia de hoje é diferente nas prioridades e nos valores a serem preservados.

Uma pena a perda de uma boa oportunidade de o Brasil aparecer internacionalmente, vítima que tem sido de campanhas desonestas em desinformar, a começar pelos incêndios anuais na Amazônia, não muito diferentes daqueles que anualmente ocorrem na Califórnia e em tantos países europeus.

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