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A derrota das esquerdas nas eleições mais recentes na América do Sul criou um quadro inédito de rejeição a um grupo político-ideológico. Argentina, Chile, Paraguai, Equador, Peru e Colômbia impuseram derrotas ao populismo de esquerda que estava no comando destes países. A esquerda tradicional permanece no Uruguai, com equilíbrio e moderação, e na Guiana.
O caso do Brasil é diferente, pois até o Presidente Lula surpreendeu a todos ao declarar há semanas, na França, que “nunca foi de esquerda, e sim sindicalista”. Na verdade, o PT é um partido de propostas eleitoreiras, sem ideologia, com alinhamento externo com a nova esquerda – China, Rússia, Mexico etc. –, que tem se beneficiado eleitoralmente de erros do centro-direita e agora do populismo arcaico do bolsonarismo. Lula não ganhou a eleição em 2022; foi Bolsonaro que perdeu ao construir uma improvável derrota. Lula pode até ser reeleito, mas sempre pela rejeição à família Bolsonaro, que tomou de assalto as bandeiras anti-Lula da Silva. O centro ensaia, mas ainda não conseguiu construir um grupo capaz de furar a polarização que só atende aos interesses de Lula e do próprio Bolsonaro, que, preso e sem poder ser candidato, indicou um de seus filhos para as presidenciais.
Nos países que optaram pela direita e centro, o fenômeno não tem origem ideológica, mas sim pragmática. Os derrotados representavam governos medíocres, sem resultados a apresentar ao eleitor. Os temas da corrupção e da segurança tinham abordagem equivocada. O discurso desta esquerda fala em “direitos humanos” e “estado de direito democrático”, quando a população quer comida no prato, melhores salários e menos violência. E menos corrupção.
A Argentina é o grande campo de batalha, pois Milei tem conseguido melhoras na economia do país que apanhou falido. Está melhorando muito, mas os erros do passado foram enormes. O Chile tem o mais preparado dos governos, sendo que o Presidente José Antonio Kast vem da escola de economistas e empresários que ajudaram o país a dar o grande salto nos anos do Presidente Pinochet. E não esconde afinidades com os anos que modernizaram o país e reformularam sua economia, hoje diversificada e sólida.
A Venezuela, enquadrada por Trump, vai se abrindo para retomar o bom aproveitamento de suas reservas de petróleo, entre as maiores, senão a maior, do mundo. Sofre hoje com a tragédia do terremoto, mas logo se recuperará, pois passou a ter recursos. A Colômbia vai enfrentar, e não mais conviver, o narcotráfico e a guerrilha, também com apoio americano.
A saída de capitais americanos da Ásia pode dar grande impulso ao continente e o Brasil teria todas as condições de tirar proveito. Mas nem com Lula nem com filho de Bolsonaro terá condições de atrair investidores. Os riscos são grandes e a crise que se avizinha é preocupante. No caso brasileiro, só mesmo uma solução mais ao centro pode dar a estabilidade e a confiabilidade para a retomada do crescimento. Hoje, dívida alta, juros lá em cima, estado inchado e corrupção descontrolada não permitem otimismo.
Neste mundo competitivo e com a velocidade do tráfego de capitais, tudo é possível. Cresce a presença de médias e pequenas empresas brasileiras na indústria paraguaia e já é relevante na pecuária e na agricultura.
O sucesso passa a depender do eleitor amadurecer, ter paciência. E de Trump recuperar sua popularidade internacional.
Publicado em: Jornal O Diabo.pt 04/07/26
