|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
A ação policial da semana passada no caso da fraude ocorrida nas Lojas Americanas oferece aspectos de alta gravidade para uma avaliação correta do ambiente de negócios no Brasil, da insegurança jurídica e da razoabilidade.
É chocante o envolvimento de membros do Conselho de Administração, sem função executiva, iludidos pelos dados contábeis internos, externos e até das autoridades fiscalizadoras do mercado de capitais, todos de reputação ilibada por décadas de atuação empresarial.
A simples leitura dos “envolvidos” mostra o absurdo e a irresponsabilidade dos responsáveis pela operação. As Lojas Americanas é uma das mais tradicionais empresas brasileiras negociada em bolsa, com quase um século de presença, sendo das raras em seu tempo que cresceram e lucraram sem um controlador. Eram duas ou três famílias, que influíam com participações inferiores a 10%, cada uma.
Nos anos oitenta, foi adquira pelo Grupo Garantia e acionistas relevantes, integrando um dos maiores grupos econômicos nacionais e de forte presença internacional. Os maiores acionistas são os mesmos do grupo cervejeiro INBEV- AMBEV, o maior do mundo.
Não seria exagero atribuir à má-fé ou à militância ideológica, acusação a empresários altamente conceituados e representantes de empresas das mais respeitadas do país. Um ato de irresponsabilidade que macula os esforços da sociedade para atrair investidores que gerem emprego e renda num país que não perde o hábito de perder oportunidades.
O Brasil está se tornando um mercado de alto risco para quem se aventura a investir ou a gerir grandes negócios. Não bastasse as aberrações na Justiça do Trabalho, na gula fiscal, a corrupção, vem se somar a demora em apurar malfeitos, mutas vezes desviando as atenções dos alvos reais, como parece ser o caso referido. Os acusados são vitimas e não autores.
Lamentável que as entidades de representação empresarial, que no passado foram atores em ajudar o país a sair de crises econômicas ou institucionais, não se manifestem com indignação a este assassinato de reputações de brasileiros ilibados.
Evidente que a aberração será corrigida, se já não foi, mas o mal está feito e pode se repetir aqui ou ali em outros casos.
Na verdade, estamos numa guerra em que uma das prioridades é desmerecer o setor privado, como não fosse ele provedor de empregos de qualidade, de pagar impostos, fazer girar a economia. O que não impede que executivos organizem golpes em que o acionista é a maior vítima. Como pode se verificar os que apuram apreciam mais a gestão dos Correios, do BRB, da Infraero, dos fundos das estatais, clientes do MASTER e soltos
Publicado em: jornal O Dia 06/07/26
