Palácio São Clemente nas relações luso-brasileiras

Certamente um dos postos mais cobiçados na diplomacia portuguesa é o Consulado Geral no Rio de Janeiro, instalado no Palácio São Clemente, onde agora funciona, em anexo, os serviços administrativos da representação. Aliás, estas modernas instalações foram inauguradas na atual gestão, do embaixador Jaime Leitão, em ato singular nas relações dos dois países. Afinal, o presidente da República e o primeiro-ministro estavam na cidade na mesma data e dividiram a inauguração, seguida de movimentado coquetel.

Foi nos anos 1990 que o Consulado voltou a unir a comunidade luso-brasileira do Rio, que passou anos ausente ou afastada pela falta de sensibilidade dos cônsules em compreenderem por que a comunidade, então maioritariamente de mais idosos, continuava a cultivar a memória de Salazar. Muitos vieram com os pais em tempos de muitas dificuldades para os portugueses, ainda crianças, e foram educados na admiração pelo homem que acabou com a miséria, devolveu a ordem e a segurança ao país, deu valor à moeda e soube acumular reservas em ouro, que enchiam de orgulho estes homens simples que conheceram um Portugal decadente.

O primeiro-cônsul-geral desta nova leva, que integrou o consulado com os portugueses, os amigos de Portugal e os brasileiros em geral, foi Luís Filipe de Castro Mendes e sua mulher, Margarida, que, inclusive, teve o entusiasmo do embaixador José Aparecido, criador da CPLP.

Depois o diplomata António Tânger Corrêa, que obteve apoio de empresários portugueses para algumas melhoras no palácio. O cônsul e sua mulher se conheceram no Rio, onde seus pais moravam refugiados do regime do 25 de abril.

A seguir, veio o carismático casal Vanda e António Almeida Lima, que acrescentaram ao círculo luso-brasileiro muitos católicos. Depois de uma elogiada passagem no Cerimonial do MNE, são eles, hoje, os representantes de Portugal no Vaticano.

Na mesma linha de continuidade de integração local, consolidando o consulado como o mais presente e importante para os brasileiros, Nuno Belo, hoje embaixador no Uruguai. Agora, parece que já no fim da missão no Rio, temos Eduarda e Jaime Leitão, que também conquistou a comunidade carioca ligada à Portugal e aos portugueses.

Não se pode falar do Palácio São Clemente sem uma referência a quem o tornou realidade: o notável embaixador António de Faria, que, com seu prestígio junto a Salazar, o convenceu que a embaixada não poderia ficar num apartamento em cuja sala de jantar só cabia uma mesa para 12 pessoas. Só mesmo ele e a consideração que Salazar tinha pelo Brasil para o primeiro-ministro aceitar o investimento.

O Rio é a mais portuguesa das cidades brasileiras, pela identidade na gastronomia, nas famílias de origem portuguesa, nas empresas de referência na panificação, nos transportes, no comércio e no intercâmbio cultural.

É grande a responsabilidade do MNE em escolher os sucessores de Eduarda e Jaime Leitão.

 

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