O BOM DO RIO ANTIGO

A reforma administrativa, que o prefeito Eduardo Paes está submetendo à Câmara de Vereadores, é oportuna e abre a possibilidade de elevar o conceito do legislativo municipal, como consciente do momento que vivemos. A ser realista e a procurar abrir uma nova fase na administração municipal, ressurge também a chance de se atrair bons quadros profissionais para as carreiras mais nobres, como no ensino, na medicina e na engenharia.

O Rio já teve quadros de excelência, com a presença na área pública de grandes profissionais. Na engenharia e na arquitetura, por exemplo, a primeira arquiteta brasileira de relevo foi Berta Leitchic, Schneider de solteira, que projetou o belo Viaduto das Canoas, que, hoje, leva seu nome. Eram seus contemporâneos figuras da expressão de João Augusto Maia Penido, Joaquim “Jack” Oliveira Sampaio, Paula Soares, Veiga Brito e Mauro Viegas, entre outros. Na medicina, nomes consagrados como Hildebrando Monteiro Marinho, Eugênio da Silva Carmo, Nova Monteiro, que souberam conciliar a carreira no setor privado com relevantes serviços prestados à cidade. A Procuradoria do Rio, desde o antigo Distrito Federal, sempre reuniu o melhor de nossos juristas, como Magnavita Braga, Lino Sá Pereira, Mauro Dias, Nelson Diz, Hélio Saboya e agora o ministro Luís Roberto Barroso, entre outros.

Um exemplo de dedicação integral, ao longo de mais de meio século de atividade ininterrupta na relevância, foi o engenheiro Emilio Ibrahim, que, nascido em Mariana, veio para o Rio estudar, foi jogador do Fluminense e, como engenheiro da Prefeitura, foi presidente do Maracanã e do IAPC, secretário de Obras por oito anos e diretor de Furnas, entre outras funções. Suas digitais estão em importantes obras da cidade, desde a recuperação do viaduto Paulo de Frontin às obras do Guandu, como o interceptor oceânico.

Em sua gestão anterior, Eduardo Paes atraiu um grupo de jovens bem formados na educação e nos princípios ético e cívicos – alguns permanecendo na vida pública. É de sua safra o notável Carlos Roberto Osório, por exemplo. Agora, pode consolidar esta percepção de que o Rio precisa efetivamente de quadros qualificados no senso estético, na responsabilidade com o Patrimônio Histórico e com a tradição de capital do império e da República.

O Rio pode mesmo voltar a ser a capital cultural, política, econômica, da memória nacional e da tecnologia no Brasil. Basta reconhecer e perceber estas vocações, para o qual se exige a sensibilidade que o prefeito já mostrou ter.

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