LIÇÕES DE HISTÓRIA

No excelente blog do Cesar Maia – vereador na Câmara do Rio, ex-deputado e ex-prefeito do Rio, pai do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia –, este texto, que é uma lição de história e sabedoria. E sem esta bobagem de demonizar um líder que marcou o século e a Europa como Mussolini, que apenas cometeu o erro indesculpável de ter se aliado – embora encurralado – a um monstro como Hitler.

O presidente do Brasil peca por não ter a base cultural de outros estadistas, como o caso do Duce, de Churchill, de De Gaulle, Pompidou, Salazar, entre outros. Entretanto, tem intuição, evoluiu muito na visão da economia. Mas sempre  convém lembrar que o ótimo é inimigo do bom.

Boa  leitura!!!!

1932: ONTEM E HOJE! 

Em 1932, Mussolini destacava-se como único líder, chefe de governo de expressão no mundo ocidental. Com formação teórica muito acima da média, poliglota, leitor de filósofos e de grandes escritores, conhecedor de história, impressionou Emil Ludwig, escritor alemão, biógrafo de Bismarck, Napoleão e Goethe.

Mussolini deu, em absoluta privacidade e em dez tardes seguidas em seu gabinete, uma entrevista com Ludwig. Esta foi publicada e se transformou em livro logo em seguida: “Colóquios com Mussolini”.

Ludwig explora os conceitos do entrevistado – liderança, governo, autoridade, nacionalismo, poder, países, história, artes, atributos do líder, Estado… Mussolini passou a ser referência para outros líderes políticos. Salazar mantinha seu busto na mesa de trabalho. Getúlio usou, na “Constituição” de 1937, o conceito de Parlamento corporativo num governo autoritário. Mussolini mitificava a ação, mas refletia e cristalizava seus conceitos.

Esses, difundidos, formaram e formam gerações de lideranças populistas-autoritárias, com ou sem consciência da escola de influências que receberam. Com a ascensão do populismo autoritário na América Latina, cumpre ir a essas raízes, até para que se saiba de que fonte vem a água que bebem.

Diz Mussolini que, “para governar as massas, temos que usar duas rédeas: o entusiasmo e o interesse. Confiar em uma só é estar em perigo. O lado místico e o lado político estão subordinados um ao outro. Este, sem aquele, se torna árido. Aquele sem este se desfolha ao vento das bandeiras”.

Numa afirmação, desnuda a base do populismo: “A massa não deve saber, mas crer. Só a fé remove montanhas. O raciocínio não. Este é um instrumento, mas jamais motor da multidão”. Sobre sua relação direta com as massas, diz: “Deve-se dominar as massas como um artista domina sua arte”. E ensina: “Deve-se ir do místico ao político, da epopeia à prosa”.

É nessa entrevista que Mussolini usa uma frase que marcou seu machismo: “A multidão adora homens fortes. A multidão é feminina”. Ludwig, vendo sua chegada ao balcão de seu gabinete no palácio Veneza para saudar o povo, comenta: “No balcão, olhando as massas, ele tem o ar de autor dramático, que chega ao teatro e vê os atores impacientes para o ensaio”. Mussolini segue: “Cumpre tirar dos altares sua santidade, o povo. A multidão não revela segredos. Quando não é organizada, a massa é um rebanho de ovelhas. Nego que ela possa se reger por si só”.

Ludwig registra o que ele ensina e que deveria servir ao mesmo Mussolini e a tantos outros, especialmente os de aqui e agora: “Veja só o que Brunsen disse de Bismarck: ‘Tornou a Alemanha grande e os alemães pequenos'”.

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