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Na eleição de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro construiu uma improvável derrota pelas polêmicas que gerou desnecessariamente. Na pandemia, o Brasil teve um dos melhores desempenhos na vacinação, mas o presidente não tomou vacina e chegou a comentar que um jornal inglês havia publicado que ela fazia mais mal do que bem. Negou-se ao uso das máscaras. Acabou por demitir um ministro da Saúde bem avaliado pela população porque ele se negou a endossar a recomendação do uso de cloroquina e Ivermectina, remédios contra a malária.
Nos países que existe o cargo de vice-presidente, votado junto com o presidente, o lugar serve para acordos políticos. Assim, Lula foi buscar seu vive em Geraldo Alckmin, que disputou duas eleições contra ele, com críticas fortes. Já Bolsonaro escolheu um militar sem experiência política, que entrou na campanha mudo e saiu calado. Na segunda volta, Lula conseguiu o apoio dos demais candidatos e Bolsonaro de nenhum.
As forças à direita, centro-direita e centro fizeram maioria no Parlamento e elegeu os governadores de todos os estados do Sul e do Centro, que representam 80% do PIB brasileiro. Bolsonaro não conseguiu captar estes votos.
Foram 38 milhões de eleitores que se abstiveram ou votaram branco ou nulo, maioria certamente das classes médias urbanas que não votariam na esquerda, mas também se negava a votar no controvertido Bolsonaro. A rejeição a Bolsonaro era e é ainda muito forte, embora seja ele a maior liderança popular do país nos 145 anos de República. Mas não se ganha uma eleição em dois turnos sem alianças.
Inconformado com a derrota, Bolsonaro passou os 60 dias que separaram a vitória de Lula da posse sonhando com uma maneira de anular a eleição. O resultado foi o processo por “tentativa de golpe”, que o levou à condenação a 27 anos de prisão e a diversos militares de alta patente. Bolsonaro não assumiu a responsabilidade pelas reuniões e os militares, incluindo o ministro da Marinha, foram condenados.
A partir do julgamento e da prisão para cumprir a pena, o projeto de Bolsonaro se revelou voltado para uma anistia e acabou por indicar um filho, o senador Flávio Bolsonaro, como candidato em seu lugar, preterindo as lideranças políticas da base de apoio a seu governo. Optou por um projeto familiar e não político. Deslocou um filho de vereador no Rio para disputar o Senado por Santa Catarina, abandonando o senador Esperidião Amim, que foi leal a seu governo e com o qual estava comprometido. Outro filho, que levou também para Santa Catarina, onde efetivamente tem muito prestígio popular, para ser deputado. E deve tentar eleger a mulher, a sra. Michelle, senadora por Brasília. Não se importa que, desmerecendo os políticos que formam oposição a Lula, acaba por favorecer a reeleição do atual presidente, que vem de um desempenho medíocre e pode vencer por medidas demagógicas que comprometem a frágil estabilidade da economia.
Caso o ex-presidente deixasse os políticos montarem a chapa, inclusive com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, seu leal correligionário, Lula estaria derrotado com facilidade.
O sonho de Bolsonaro é que, se eleito, o filho o anistie, o que é possível, e renuncie, para que tenha nova eleição, ele se candidate e seja eleito. Deseja repetir a farsa da Argentina em que o peronismo elegeu o deputado Héctor Cámpora, que anistiou Perón e renunciou para a volta do caudilho à Casa Rosada.
A décima primeira economia do mundo corre o risco de entrar em grave crise na economia sem volta com mais um mandato de esquerda!
Publicado em: Jornal Diabo.pt FOTO
