A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR

Portugal deveria aproveitar o momento de plenitude democrática para acabar com o entulho dos ressentimentos manifestados a partir do movimento denominado 25 de abril. E, claro, fazer a reparação moral e material dos atingidos por um movimento que tinha como objetivo integrar Portugal na esfera da então poderosa União Soviética, o que quase veio a ocorrer.

Não se pode, evidentemente, reincorporar os territórios entregues aos interesses soviéticos, abandonando centenas de milhares de portugueses à própria sorte de uma hora para outra, mergulhados décadas na violência. Muito menos anular os danos morais a milhares de famílias vítimas dos “saneamentos”, com perda de empregos, confisco de bens, inclusive de habitações familiares, prisões arbitrarias. Nem apagar a vergonha de se ter entregue o Hotel Ritz para abrigo de retornados da África, numa manifestação ideológica típica do pensamento  então reinante. Condenaram tanto os excessos da PIDE que fizeram muito pior.

Estamos em outra época e nada como o tempo para apagar mágoas, injustiças, sofrimentos, inclusive pelo fato de a maioria dos atingidos já não estar entre nós. Mas o país como Nação permanente, de todos os portugueses, de todas as tendências, não pode eternizar medidas menores, mesquinhas, carregadas de ressentimento.

Embora tendo a aprovação e o respeito da maioria da população, como se comprovou na famosa pesquisa da insuspeita RTP, António de Oliveira Salazar não conta com as simpatias de parcela da população e, principalmente, do meio intelectual, artístico e sindical, público-alvo em todo mundo do movimento comunista. Mas nada justifica ser expulso da história, relegado ao esquecimento na nomenclatura dos logradouros públicos do país. Foi ditador, como o Marquês de Pombal, Sidónio Pais e, no Brasil, Getúlio Vargas, por exemplo.

Todo mundo sabe que a ponte sobre o Tejo, hoje com o nome de 25 de abril, foi iniciativa de Salazar, que teve a coragem de tocar o empreendimento, investimento arrojado para o tamanho da economia portuguesa da época. E mesmo que à sua revelia, levou o seu nome, que, até hoje, parte da população considera em plena validade.

Seria da maior dignidade a volta do nome original, sem prejuízo das centenas de homenagens ao 25 de abril que existem no país inteiro,pois tem quem acredite que o movimento era democrático. Mas a ponte teve o nome de quem a fez, independente de ter sido ditador ou não, e o foi por 40 anos com o consentimento dos portugueses.De mãos exemplarmente limpas.

Restituir o que é legítimo e justo engrandeceria a democracia portuguesa, fortaleceria uma união, que será sempre importante, e mostraria respeito ao passado. Além disso, daria um exemplo de dignidade que anda faltando em nossos vizinhos e amigos espanhóis, em crise de ingratidão, inclusive pela omissão,  a seu grande benfeitor Francisco Franco.

Fica a idéia!

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