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Um dos preconceitos da sociedade brasileira se revela no silêncio que cercou a destruição das maiores empresas de engenharia do país; todas com presença internacional pela qualidade de seus serviços em grandes obras. Os casos de corrupção apontados na Lava-jato colocaram as empresas vítimas da extorsão no mesmo balaio do corruptos instalados nos diferentes governos, com ênfase na fase petista, iniciada em 2003.
As cinco maiores empresas até então, Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Mendes Junior e Queiroz Galvão, foram responsáveis pelas grandes obras do regime militar, incluindo a construção de Itaipu, em que formaram um consórcio e trabalharam em conjunto. Alguns podem ter participado da construção de Brasília, obra marcante de uma Era, cujos contratos eram administrados pelo estadista mineiro Israel Pinheiro. Tucuruí, Transamazônica, Ponte Costa e Silva, usinas nucleares e os linhões de Furnas são algumas das obras de referência sem nenhuma suspeição. As empresas não mudaram; a troca foi no nível ético e moral dos executivos do setor público.
O mundo empresarial e o setor público sabem do valor, da idoneidade moral, dos homens que criaram estas organizações de destaque em nossa economia. Empreendedores como Norberto Odebrecht, Sebastião Camargo, Roberto Andrade, José Mendes Júnior e seu filho Murilo, João Queiroz Galvão. Constrangidos, cederam ao assédio e alguns executivos podem ter se excedido aqui ou ali, numa cumplicidade com o processo. Mas foram vítimas e não autores da onda de corrupção. Construíram impérios, diversificaram investimentos, sem estas práticas.
Agora, o jornal O Globo publica reportagem de sua sucursal de Brasília em que mostra os “campeões do asfalto”; todas emergiram nos últimos governos e, por melhor que sejam, não possuem a qualidade e a dimensão das grandes empresas liquidadas ou atrofiadas, que, além de achacadas, foram multadas.
Até no setor financeiro os tempos são outros. Este caso Master trata o marginal responsável pelo golpe como banqueiro. Nos anos 70 e 80, o Banco Central teve de intervir em muitas e grandes organizações, como Econômico, Bamerindus, Boavista, mas os casos não provocaram processos criminais. E eram banqueiros de verdade.
Neste ano de definições eleitorais relevantes para o futuro do Brasil, deve-se notar que temos governadores de dois mandatos produtivos como pré-candidatos sem suspeições – Caiado, Ratinho Jr. e Zema –, sem histórico
de mansões compradas, rachadinhas, sítios e apartamentos sob suspeição, ou familiares citados em investigações. Fatos e personagens conhecidos, portanto, nada justifica o comportamento daqueles eleitores responsáveis de alimentarem uma polarização pouco recomendável.
O Brasil não merece este quadro.
Publicado em: jornal O Dia 23/03/26
