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Parece que a última instrução da esquerda internacional é a de rotular de direita e extrema direita todas as posições e lideranças que não sejam socialistas ou marxistas. As exceções são os tradicionais inocentes úteis que fazem o jogo das esquerdas sem perceberem.
Os rotulados, por sua vez, aceitam passivamente uma definição que não corresponde à verdade, numa omissão que compromete os reais valores da democracia que adotam e, portanto, deveriam ser mais atentos na defesa.
A verdadeira e real direita é a linha conservadora nos costumes e liberal na economia. O que nos costumes não inclui nenhum preconceito, apenas não exalta o que não vem da tradição cultural ocidental e judaico-cristã. Uma coisa é aceitar; outra, exaltar; e outra, ainda, discriminar.
A direita verdadeira não tem nem deve negar seus valores tradicionais, a fé, o patriotismo, o conceito de família, a propriedade e o capitalismo como instrumento de progresso econômico e social. Deve assumir seu compromisso laboral com o mérito, o que torna incoerente a igualdade salarial quando o desempenho, assiduidade e produtividade não são iguais. Cabe ao estado procurar preparar melhorar a qualificação dos menos favorecidos. Os preconceitos existentes são mais sociais do que raciais.
As sociedades livres, ainda capitalistas, devem observar o lento, mas permanente trabalho de desmontagem do empreendedorismo no mundo pelas esquerdas através das leis trabalhistas, ambientais e a concentração da economia em grandes corporações multinacionais. Os altos impostos alimentam o estado inchado e ineficiente e desestimulam a poupança e o investimento. A esquerda não gera bons salários, pois vive da dependência dos menos favorecidos, nos serviços públicos de saúde e educação; quando não, de programas sociais.
Outra palavra de ordem internacional se refere a intimidar a ação de policiais e militares fazendo crescer a violencia impulcionada pela imigração de baixa qualidade.. Artifícios procuram mascarar posições indefensáveis. No bárbaro ataque sofrido por Israel por parte do Hamas, o sofisma do apoio à barbárie tem sido demonizar a reação israelense, assim como não se defende Maduro, mas se questiona a ação americana que evoluiu para libertar prisioneiros políticos e promover uma abertura econômica que devolva qualidade de vida aos venezuelanos. Os movimentos de defesa da mulher, em todo mundo, silenciam diante do tratamento dado pelo governo islâmico do Irã às mulheres. Fala sempre mais alto a cumplicidade com os movimentos contra os EUA e o ocidente.
Os segmentos mais à direita não podem ser confundidos com o populismo não esquerdista. A direita tem segmentos monarquistas, elitistas no sentido do comportamento cordial e equilibrado nas maneiras, e a educação afinada com a cultura tradicional. E o povo respeita esta postura.
O populismo tem prestado relevantes serviços para conter os avanços das esquerdas, assumindo posições de bom senso na economia e na segurança pública através de seus líderes, como Trump e Bolsonaro, mas não podem ser confundidos com lideranças com base ideológica sólida como a de Giorgia Meloni, Milei, Ventura e agora o chileno Kast As classes médias não votam em líderes exóticos, se abstêm ou votam branco ou nulo onde o voto ė obrigatório. Lula, por exemplo, ganhou por menos de 1% e os que não votaram somaram 38 milhões, cerca de um quarto do eleitorado. Em Portugal faltou a André Ventura um discurso mais nítido na área da economia e lembrar que não basta ter emprego, mas sim bons salários que as economias abertas proporcionam.
Candidaturas que não unam o centro democrático e as classes médias conservadoras acabam por perpetuar governos mais à esquerda. Política se faz com alianças e não com confrontos permanentes ou imposições. E muito menos com medo de rótulos.
A democracia, que inclui valores culturais e econômicos liberais e conservadores, pede chefes políticos sérios.
Publicado em: SEMANARIO SOL PT 28/02/26
