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A nova esquerda mundial, órfã do comunismo, da ditadura do proletariado e da revolução mundial, mantém afinidades com a Rússia e a China, cultiva valores de hostilidade aos EUA, mas não sabe ainda o que quer com uma série de equívocos num mundo que pede ordem, paz, segurança e progresso.
Este grupamento, que gosta de se apresentar como democrático, se nega a condenar regimes anacrônicos, falidos e ditaduras, como as de Cuba e Venezuela. São países com problemas sociais graves, que se aprofundam. E com privilégios para os que estão no poder, além de casos de corrupção explícita, como na Rússia e na Venezuela. Nem a chamada “esquerda católica” se manifesta com as perseguições à Igreja na Nicarágua. Nada pode justificar este programa, que nunca, e em lugar algum, deu certo para a população.
Lula da Silva pegou um Brasil na pista, pronto para decolar. Apesar da pandemia, Jair Bolsonaro deixou as contas em ordem, estatais vendidas ou sem prejuízos, baixa corrupção, zero de greves e, em quatro anos, eliminou 20 mil cargos públicos. Mas o destino foi implacável, pois, despreparado, o então presidente, que formou boa equipe na economia, nas obras públicas e no vitorioso agronegócio, construiu polêmicas, brigas, deu declarações infelizes e sofreu lamentável influência dos quatro filhos, com mandato parlamentar obtido pela filiação. Bolsonaro não soube formar alianças políticas e ainda brigou com ministros populares, como o juiz Moro, que se elegeu senador.
Lula, na verdade, venceu com vantagem de pouco mais de 1% pela rejeição a Bolsonaro. E quase 20% não votaram ou votaram nulo ou branco. Agora o país assiste à volta da corrupção, da política menor, da desastrada política externa alinhada à Rússia e China, do descontrole nas contas públicas, jogando tudo na eleição do próximo ano, mas com o centro e a direita divididas e sofrendo influência de Bolsonaro, que quer impor a mulher ou um dos filhos como vice na chapa da direita, o que pode favorecer mais uma vez a esquerda. No mais, os bolsonaristas desconsideram os que votaram com Lula e estão descontentes. Coisa inconcebível em política, que é a arte de somar e não de dividir.
Lula vai entrar no último ano de um mandato medíocre, com graves problemas nas contas, mas ainda sem uma oposição responsável e fora desta polarização. Talvez a prisão de Bolsonaro permita maior liberdade aos políticos do centro para encontrar uma chapa plural e que tenha baixa rejeição.
A economia é relevante pelo tamanho do país, mas, na verdade, a produtividade é baixa. As leis laborais de influência esquerdista impedem geração de bons empregos, assusta o investidor. O maior fabricante brasileiro de meias foi para a Paraguai e explicou ao mercado que fugia dos juros altos, impostos altos e leis laborais inibidoras do emprego e de alto risco em empregar.
O mundo livre e capitalista deve pensar neste projeto da uma esquerda irresponsável que estimula greves, menos trabalho, mais impostos e mais atividades controladas direta ou indiretamente pelos governos.
O povo, por vezes, vota mal por falta de informação.
Publicado em: jornal diabo pt 03/01/26
