PORTUGAL É UM ESPETÁCULO

Foi em 1970 que conheci e me apaixonei  por Lisboa. Nascido e criado em família  identificada com a lusitanidade –  meu avô,  Augusto de Lima Júnior, cumpriu missão diplomática em 1940 , tendo meus pais vivido dois anos inesquecíveis  em Lisboa – foi um amor preparado, natural na minha geração em que se procurava acompanhar  os pais e avós.

Foi em 1970 que conheci e me apaixonei  por Lisboa. Nascido e criado em família  identificada com a lusitanidade –  meu avô,  Augusto de Lima Júnior, cumpriu missão diplomática em 1940 , tendo meus pais vivido dois anos inesquecíveis  em Lisboa – foi um amor preparado, natural na minha geração em que se procurava acompanhar  os pais e avós.

A primeira viagem teve como introdutor meu inesquecível amigo Antonio Carlos Osório , precursor nos negócios entre os dois países.  Já estava em atividade  em Portugal seu primo Hildegardo Noronha, que representava o Grupo Moreira Salles,  e André Jordan , que eu ainda não conhecia,  dava os primeiros passos no seu consagrado projeto da Quinta do Lago.

Mas a encantadora Lisboa, de ruas limpas , boa mesa –  mas apenas portuguesa –  bons preços, vivia os anos de segurança e austeridade do regime de Salazar. A compartida das qualidades daqueles anos era um certo provincianismo , uma economia fechada. Nem Coca-Cola tinha em Portugal. A imprensa era sem graça , compensada aos brasileiros pela presença diária em suas bancas de O Globo, que tinha uma edição portuguesa, carinhosamente feita pelo seu  Secretário de Redação e grande amigo de Portugal, Alves Pinheiro.

Desde então minhas entradas em Portugal chegam a quase duzentas. O recorde de seis vezes em 1973, como que adivinhando os dez anos de sobrevoos , ou um rápido pernoite, considerando o desconforto de um golpe comunista, que inclusive levou para o Brasil quase todos os amigos feitos em Lisboa, alguns que se tornaram especiais, quase família, como os Vinhas e o André Jprdan de quem me tornei amigo quando também teve de sair e passar a viver no Brasil.

Quando Mario Soares viu que os objetivos dos comunistas portugueses eram ditados por Moscou, e com eles rompeu, a democracia foi implantada e,  como consequência natural, a integração na União Europeia, Portugal ressurgiu moderno, aberto , sem a perda das marcas do trabalho e da honestidade de seu povo. Começou a construção desta Lisboa hoje equiparada pelo turismo europeu ao conhecido circuito Elizabeth Arden – Londres- Paris – Roma – pelo que oferece . A Expo 94 foi outro avanço ,  com a segunda ponte sobre o Tejo, a Vasco da Gama, e a formidável rede de estradas de rodagem, a implantação de uma rede hoteleira de alta qualidade e bons serviços. O Algarve,  que passou anos desorganizado, quase que destruído, ressurgiu já não apenas com a Quinta do Lago que André Jordan terminou, comocom  outros projetos de alto nível, como o Villa  Moura , que o mesmo André assumiu, reformou e expandiu . O Algarve é hoje parte do verão de luxo da Europa.

As mudanças no mundo conspiraram para que tudo desse certo em Portugal, apesar de alguns governos controvertidos , como o do socialista José Sócrates, hoje preso por corrupção. A gestão de Santana Lopes, por exemplo, criou o  túnel do Marquês de Pombal que ligou a costa do sol à cidade de Lisboa, facilitando o acesso. Acrescente-se também a iluminação impecável, a tradição das ruas limpas e a segurança  acima da média europeia e entende-se como o turismo cresceu apesar da crise.  E cresceu agregando chineses e europeus do leste , reconquistando americanos.

Lisboa, e Portugal em geral, passou a ter uma  gastronomia de qualidade, com um grupo de jovens chefes fazendo  sucesso , a programação cultural intensa, o clima sempre agradável , e assim atraindo milhares de famílias que escolheram o destino para seu lazer e segunda casa. O consagrado decorador e arquiteto  Phillip Stark tem seu pé em Cascais, como o brasileiro Chicô Gouvêa,  em Lisboa.  O rei dos ônibus do Rio, Jacob Barata, tem apenas nove hotéis por aqui, sendo que cinco de cinco estrelas. Enfim , Lisboa e Portugal entraram em moda e pelo visto para ficar .

Nada mais difícil do que dar dicas de Lisboa e Portugal em geral, pois as novidades são semanais. Hotéis para todos os gostos e preços , agora com dezenas de hosteis para a mocidade . Mas mantém seus palácios como o Ritz-Four Seasons e o Palácio Estoril, no Estoril, a tradição do Tivoli ,o conforto de mais de dez cinco estrelas, e uma rede de quatro estrelas para ninguém botar defeito. O meu predileto  é o Real Palácio. Mas tem os Dom Carlos, ligados ao Brasil, e no centro histórico  novas e confortáveis opções, como a Pousada de Lisboa, na Praça do Comércio , umas das mais bonitas da Europa, em construção histórica .

Restaurantes também há em Lisboa com opções  que podem disputar em número com Nova  York. Belcanto,  Tágide, 100 maneiras, Bica do Sapato,  Gambrinus , Solar dos Presuntos, Olivier , são imperdíveis.  Como imperdível é o almoço no Ritz-Four Seasons. E há as casas alegres como o Cantinho do Avilez, Aqui há Peixe. Na costa do Sol, o Mar do Inferno e o Maria Pia, em Cascais; o Sete Ais em Sintra e em Paço d’Arcos  o Dizima e o do Hotel Vila Galé dos Poetas. Boa comida e ótima vista. O  Tágide tem a melhor vista de Lisboa, e,  o Vila Galé,  da entrada do Tejo, de onde Dom Manuel, o Venturoso viu Vasco da Gama partir  para sua histórica viagem.

Com estradas espetaculares, seguras, ganhar o interior –  que conta com rede de Pousadas e hotéis padrão Relais Chateaux –  pede tempo,  mas dá muito prazer. O Porto , que tem hoje um hotel singular, Yeatman, fica às margens do Douro, região nobre de vinhos, com uma rede de hospedagem de alto padrão. Évora é imperdível . Uma noite em cada lugar, durante uma semana , e percorre-se o país inteiro para um primeiro contato, que certamente não será o último. Portugal encanta . Pena é que não tenhamos conservado de nossos colonizadores  a cultura do trabalho, da honestidade e do prazer do bem servir.  Requisitos indispensáveis a quem pretenda oferecer turismo de qualidade e respeito ao viajante.

Conhecendo a história, sabe-se que D João VI queria fazer do Brasil a capital do Reino, com sede no Rio. Talvez tivesse sido melhor para todos…

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