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Os 350 anos de Vila do Ouro Preto, a cidade histórica de Minas Gerais mais conhecida nacional e internacionalmente, merece uma avaliação atualizada de preservação não apenas de suas igrejas e ruas de época, séculos XVIII e IXX mas de seu papel como referência da História do Brasil.
Além de centro da Inconfidência Mineira, com a presença dos grandes inconfidentes, como Cláudio Manuel, Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto, a circulação do ouro que deu a cidade monumentais construções, especialmente igrejas, a cidade foi presença política relevante até a mudança da capital, nos primeiros anos da República.
Naquela altura, já não seria mesmo possível manter a capital na cidade, pois fatalmente teria sido destruída pelo crescimento da economia mineira e da presença nacional que a República proporcionou pela dimensão de seus políticos republicanos, como João Pinheiro, Cesário Alvim, Bias Fortes, Augusto de Lima, Afonso Pena e outros.
Israel Pinheiro, quando governador, apoiou a criação do Festival de Ouro Preto, evento que consolidou a cidade como polo turístico de relevo em Minas, com excepcional ocupação hoteleira no mês de julho. Israel tinha vínculos fortes com a cidade onde fez sua formação de engenheiro. O festival incorporou, inclusive, uma iniciativa sua, que foi o Festival de Mariana.
Com o tempo o festival foi incorporando espetáculos sem vínculo com a cidade, sua história e seus valores. Este ano mesmo shows de provável custo relevante foram apresentados fora do que poderíamos denominar de tradição mineira, na discrição, austeridade e até moralidade.
O ideal seria ter mais música da época áurea ou a ópera Tiradentes, de autoria de Augusto de Lima, o governador que deu início ao processo da mudança da capital. Também poderiam ser apresentados seminários sobre as igrejas setecentistas, muitas com as plantas de igrejas espalhadas por Portugal. Lembrar em peças ou textos figuras populares, como Olimpia, episódios de repercussão nacional como a briga entre estudantes gaúchos e paulistas que culminou numa morte. A luta pela preservação da arquitetura, do tombamento de seus imóveis, da manutenção dos mais antigos e degradados. Seminários de História e Arte, agora que a cidade tem em Cachoeiro do Campo instalações de nível internacional no Hotel Vila Galé, antigo Colégio Dom Bosco.
Uma ligação com entidades internacionais, como a Fundação Ricardo Espírito Santo, de Portugal, para ensino da conservação e recuperação de móveis, pinturas, portas do patrimônio artístico.
Ouro Preto é nacional, é do Brasil. É preciso um olhar mais objetivo, menos oportunista, para uma cidade que efetivamente é patrimônio nacional, título que ostenta desde o Governo Getúlio Vargas.
Publicado em: Jornal Hoje em Dia/BH
