OS IRMÃOS NEGRÃO DE LIMA

O tempo não pode apagar a presença na vida pública mineira de notáveis como os irmãos Francisco, Otacílio e Jair Negrão de Lima, filhos da matriarca Maria Negrão de Lima, influente chefe política na Minas dos anos 1930.

Octacílio Negrão de Lima foi prefeito de Belo Horizonte e, com JK, criador da Pampulha, bairro moderno, com seu lago e o conjunto arquitetônico de Oscar Niemeyer. Foi prefeito nomeado por Valadares e depois o primeiro eleito. Foi ministro do Trabalho e Indústria e Comércio do governo Dutra. Depois, deputado estadual e federal, influente em seu partido, o PSD, tendo exercido os mandatos no Rio com grande brilhantismo e coragem. Foi dos poucos que soube enfrentar o grande orador e tribuno da época, Carlos Lacerda.

Francisco Negrão de Lima foi um estadista, com carreira completa em que faltou apenas a Presidência da República. Foi, muito jovem, constituinte de 34, depois foi o número dois do notável ministro Francisco Campos, jurista, gerador de ideias, que foi admirado na primeira grande reforma do ensino no Brasil, no governo Antônio Carlos, em Minas, e ministro da Educação em 30, antes de assumir, tendo Francisco Negrão de Lima a seu lado no Ministério da Justiça. Em 1945, ocupou o cargo de embaixador do Brasil no Paraguai e uma secretaria na Prefeitura do Distrito Federal. Com a volta de Getúlio Vargas, foi para o Ministério da Justiça, substituído por Tancredo Neves e indo chefiar a campanha de JK 55, com sucesso. Foi dele a ideia da candidatura de Plínio Salgado para ajudar JK, sangrando a candidatura do Marechal Juarez Távora, da UDN. Plínio teve 8% dos votos, que certamente teriam feito o candidato da UDN vencedor. Com JK, foi prefeito do Distrito federal, em notável gestão, ministro das Relações Exteriores e, por fim, embaixador em Portugal, quando foi corrigir o desastre da presença em Lisboa do escritor Álvaro Lins.

Voltou ao Brasil em janeiro de 64, para comandar mais uma vez a campanha de JK. Percebeu que o Brasil havia mudado e estava dividido entre lacerdistas e esquerdistas apadrinhados do presidente João Goulart. Alertou JK de que dificilmente teria o apoio do PTB.

Em 1965, com a eleição de governadores em meio a um clima de forte tensão política, a oposição no Estado da Guanabara constrói a aliança PSD-PTB em torno de seu nome. A posse só não foi sustada pela ação do presidente Castelo Branco. O que poucos sabiam é que o Tenente Castelo Branco serviu em BH e foi acolhido por D. Maria Negrão de Lima, que avalizou seu casamento com D. Argentina, da tradicional família Vianna. Negrão superou todos os seus antecessores com obras emblemáticas no Rio, como o alargamento da Avenida Atlântica, a abertura da autoestrada para a Barra da Tijuca e seu complexo de túneis e removeu as favelas do entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas. Foi o estadista do Rio de Janeiro, superando os célebres Pereira Passos e Paulo de Frontin.

Outro irmão que passou pela política, hábil e estimadíssimo em Minas, foi Jair, vice-prefeito de BH e, depois, suplente de Itamar Franco, em 1974. O mais velho foi o único a não fazer política.

Uma família que honra a política mineira.

 

 

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