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O estado do Rio é, entre todos os membros da federação, aquele em que a produção do agronegócio menos representa no produto local. Até pouco tempo, a agricultura representava 2%, mas hoje não chega a 0,5%. Distribui a pobreza pelo interior, que, no passado, foi destaque no café, no leite, no açúcar e na laranja, entre outros produtos.
O antigo estado do Rio chegou a ter uma agricultura bem estruturada nos governos de Amaral Peixoto, que sempre acreditou que deveria estimular a presença do homem no interior, com boas condições de qualidade de vida. Por tal, o que existe de positivo pelo interior até hoje se deve muito às suas realizações, a começar pelas estradas, o saneamento da baixada campista, o polo pesqueiro de Niterói. E, no governo da fusão, com o Faria Lima, a agricultura teve um grande momento com o secretário José Rezende Perez, um idealista e profundo conhecedor do setor. Depois foi o desastre total.
Curioso é que com dois governos de campistas – Garotinho e Rosinha – nem a cana escapou. O estado chegou a produzir perto de dez milhões de toneladas de açúcar e hoje não chega a duas. A maioria das usinas, muitas modernas, estão virando sucata, na região mais pobre do estado. Nova Iguaçu, Itaboraí e Rio Bonito, nos anos 1950, foram fortes produtores de laranja. O café, que tem o Vale do Café, no Vale do Paraíba, sumiu, inclusive como porto de embarque na capital.. Tudo por causa de uma política fiscal equivocada, que retirou também a torrefação do Rio. Sobrevivem poucos hoje, como o Favorito, de Volta Redonda. Um crime!!!
Até a pecuária leiteira retrocedeu, com um espasmo de crescimento no governo Pezão, que, inclusive, obteve uma fábrica da Nestlé para Três Rios, para estimular a produção da região. Alguma coisa na área hortícola ainda sobrevive na região serrana, atendendo ao mercado local e alguma coisa para a capital.
O Rio tem terras, tem passado de produção, tem mercado interno. Falta vontade política, visão do que é efetivamente o interesse público. Agora que o governo deve mudar em breve, há nova oportunidade de surgir quem queira marcar sua presença no coração dos fluminenses. Aliás, como aconteceu com Amaral Peixoto, até hoje lembrado em todo interior fluminense.