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Uma pena que os 200 anos do nascimento de Imperador Pedro II não tenha sido festejado como devia pelo seu significado na consolidação do Brasil como nação independente, com uma elite culta e empreendedora, que deu ao país meio século de ordem, progresso e uma sociedade miscigenada, plural na crença religiosa e com a mais ampla liberdade de imprensa e opinião de toda a história.
Pedro II, era neto do fundador da nacionalidade, D. João VI, filho de Pedro I, o Imperador que nos deu a separação de Portugal, irmão da Rainha Maria II, de Portugal. Filho da Imperatriz Leopoldina, era neto do Arquiduque da Áustria e sua madrasta, a Imperatriz Amelia do Brasil e Rainha Amelia de Portugal, o que mostra a importância de nossa Família Imperial no contexto internacional, que prevalece até nossos dias. Um Brasil muito respeitado na Europa e nos EUA, onde o imperador esteve por diversas vezes, sendo recebido pelo que havia de representativo no mundo civilizado.
No reinado impecável, formou um grupo de homens públicos e empresários de alto relevo. Foi quando o Brasil se tornou o maior produtor de café do mundo, no Vale do Paraíba fluminense e depois em São Paulo, com os barões de Vassouras e Guaraciaba, no Rio, e Barão de Iguape, em Campinas, avô de D. Veridiana da Silva Prado, a grande matriarca paulista. E, claro, o Barão de Mauá, notável empreendedor na indústria e nas ferrovias.
No reinado, tivemos estadistas do porte do Duque de Caxias, marquês do Paraná, Cotegipe, Visconde do Rio Branco e seu filho barão, a nata da época.
Este estadista, que falava mais de seis idiomas, de grande cultura, criou uma educação de alto nível nos colégios que levaram seu nome e uma diplomacia com nomes do nível de Joaquim Nabuco, Rio Branco, Domício da Gama, Graça Aranha. Um Brasil que não ficava nada a dever às nações mais desenvolvidas da época.
Formou de maneira primorosa a filha, também reconhecida como a maior das brasileiras, a Princesa Izabel, condessa d’Eu, que foi a regente na Abolição e teria sido uma grande governante, não fosse o ousado golpe republicano, distante da vontade popular e até mesmo da maioria dos militares – os dois mais importantes, Duque de Caxias e Marquês de Tamandaré, serviram com honra o Império.
Enfim, devemos nos orgulhar do Imperador que tivemos por meio século e renovar esperanças para que voltemos a ter esse padrão no comando do país, nesta República ou na eventual volta da monarquia.
Publicado em: jornal O Dia 05/01/26
