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O ciclo de influência das esquerdas nas democracias ocidentais parece estar chegando ao fim. A América Latina vem trilhando uma marcha para a direita, que só não inclui o Brasil, pois a direita está representada por um populismo ultrapassado que encontra resistência nas classes médias. No mais, Argentina, Paraguai, Chile, Colômbia, Peru e Equador têm governos distantes do socialismo tropical que não deu certo nas suas variadas versões. Na Europa, embora fortalecida, tem como vitrine o sucesso de Meloni na Itália.
Nas preocupadas explicações do mundo intelectual de esquerda, ainda muito presente nas mídias, reporta-se com frequência aos eventos políticos que marcaram a primeira metade do século XX, denominando-os de “fascistas” e de “extrema direita” as forças do centro democrático, também chamado de “centro direita”.
A origem da direita moderna está na Ação Francesa, de 1898, formulação do intelectual francês Charles Maurras, com ênfase na Doutrina Social da Igreja e na monarquia. Mais tarde, em 1914, surge o Integralismo lusitano, também de influência católica e de formulação de intelectuais como Rolão Preto, António Sardinha e Luís Almeida Braga. O Brasil veio a ter sua versão em 1932, no manifesto do escritor e pensador católico Plínio Salgado, que empolgou o que havia de importante no mundo cultural do Brasil da época.
O fascismo italiano é de 1919, tendo obtido maior visibilidade com a chegada ao poder, em 1923, de Mussolini e o sucesso na gestão da Itália que vinha de grave crise social e econômica. O fascismo italiano implantou na Europa a jornada de trabalho diária de oito horas e o salário-mínimo. Embora com setores anticlericais, foi o fascismo que, em 1929, assinou a concordata com a Igreja criando o Estado do Vaticano em Roma.
Apesar de algumas afinidades com o integralismo, os regimes de Salazar e de Vargas romperam e anularam a força dos integralistas em Portugal e no Brasil. A força dos movimentos colidia com o apego ao poder dos dois estadistas e, como tinham os mesmos propósitos – catolicismo, segurança pública, direitos trabalhistas e austeridade fiscal –, não encontraram resistência em esvaziar o movimento. Vargas chegou a ter parte de seu ministério composto por antigos integralistas.
No Brasil, ao criar o Estado Novo, Getúlio Vargas foi se afastando dos integralistas que empolgavam as classes médias, empresários, intelectuais, militares e a Igreja, e, em 38, dissolveu o movimento e levou seu líder Plínio Salgado ao exílio por sete anos em Portugal.
As afinidades e a mútua admiração entre Salazar e Plínio Salgado, entretanto, não foram suficientes para um convívio entre os dois naqueles anos. Salazar só veio a receber Plínio Salgado pela primeira vez em 1962, com Vargas morto. O estadista português não queria contrariar o colega brasileiro e, por vias das dúvidas, não manteve nenhum contato pessoal com ele. Mas Plínio Salgado escreveu boa parte de sua obra nos anos em Lisboa e tinha agenda de palestras, aulas, artigos e entrevistas ricas. O seu bestseller “A Vida de Cristo” terminou de escrever em Portugal. O cardeal Cerejeira, de quem ficou muito amigo, classificou o livro como “feito com a inteligência, com a alma e o coração”.
A grande diferença entre a direita original e a atual reside justamente na qualidade dos protagonistas, que desgastam a reação do mundo ocidental mais culto contra a mediocridade da confusa esquerda populista que está saindo de cena.
Já dizia a grande Margareth Thatcher, maior referência da direita na segunda metade do século XX, que política é uma arte.
Não é jogo de amadores.
Publicado em: Jornal Diabo PT 01/08/26
