O ANEL DA VERGONHA

O grande projeto que o governador de Minas tem a colocar perante o governo federal é, sem dúvida, o novo Anel Rodoviário de BH, que hoje estrangula a movimentação de passageiros e cargas na área da capital. Recordista de acidentes, sobrecarregado ao longo de todo o dia, o rodoanel existente está ultrapassado, há mais de 20 anos, em termos de capacidade utilizada. Uma série de entraves econômicos, políticos e administrativos levou a essa situação extrema.

Não é mais possível se ignorar esse estrangulamento no centro do sistema rodoviário mineiro. Uma solução parcial seria uma ligação da BR 040, entre Sete Lagoas e a altura de Congonhas, tornando o caminho de Brasília e centro-oeste a Minas e Rio de Janeiro mais viável e econômico.

O presidente Washington Luís entrou para a história política pela insensibilidade de tentar impor uma solução na sua sucessão fora do programado e pela frase realista para a época de que “governar é abrir estradas”. Diria que hoje governar ainda é abrir estradas. E, se possível, prestigiar as ferrovias, ainda uma vergonha nacional, em processo de recuperação pela iniciativa privada e apoio do atual governo.

Com a malha ferroviária comprometida com o minério, Minas tem dependência econômica de suas rodovias estaduais e federais. Precisa acabar com gargalos como o de atravessar a capital, em trajeto dominado por carretas de grande porte.

Tudo depende de vontade política e prioridades. O governador Zema talvez não tenha atinado para a importância da obra de um novo Rodoanel, pois vem de uma região bem servida de rodovias, a maioria federais e já concedidas à livre iniciativa, garantia de qualidade em suas condições de tráfego.

No caso da CEMIG, o governador Zema seria mais realista vendendo alguns ativos, operacionais ou não, fugindo a uma longa e desgastante batalha. Pelo menos deveria pensar na hipótese.

A oportunidade de pleitear a obra é maior na medida em que o ministro Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, está entre os mais prestigiados e eficientes da equipe do presidente Bolsonaro. E passa por ali boa parte da produção industrial do Estado.

Ainda é tempo de se colocar um projeto viável, em parceria com o setor privado, com vontade de resolver situação premente, justa, racional e que não pode ser ignorada.

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