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A história da democracia e do capitalismo no século XX vai destacar o papel fundamental da Espanha e Portugal sob os regimes de Franco e Salazar ao impedir as investidas do comunismo soviético para dominar a Europa e muitos países de cultura ocidental e cristã nas Américas.
Entre a barbárie da Revolução de 1917 e a eclosão da II Guerra Mundial, o ocidente foi alvo de permanente e obsessiva ação revolucionária inspirada na cartilha de Lenine e aplicada com violência pelo stalinismo nos anos que se seguiram. Mal refeita da matança do movimento marxista, Stalin, para consolidar seu domínio, empreendeu audaciosa e violenta ação pela tomada do poder em muitos países europeus. Foi criada uma rede de sabotadores da ordem, geradores da luta de classes amparada em greves e invasões de propriedades, com vistas a tomada do poder. O comunismo nos anos 30 já era presença relevante em países como Itália, França, Alemanha, Espanha e Portugal. Em Espanha, chegaram perto de tornarem real a União das Repúblicas Socialistas Ibéricas. Matou-se milhares de religiosos, nobres e proprietários e centenas de igrejas foram incendiadas numa aliança de comunistas com anarquistas.
No Brasil, o movimento denominado Intentona Comunista, de 1935, se deu por levante militar em que morreram mais de dois mil militares no Rio de Janeiro, Recife e Natal. Consta que muitos foram mortos dormindo nos quartéis, pois foi à noite que ocorreu o auge das tensões provocadas pela conspiração comunista.
Logo que ficou configurada a II Guerra Mundial, o mundo assistiu a estranha aliança Alemanha nazista com a URSS marxista, rompida em 1941 pela Alemanha, que, com isso, deu sobrevida e relevância futura a Stalin.
O final da guerra encontrou os EUA sob o governo do já muito doente presidente Franklin Roosevelt, cuja mulher Eleonor era fascinada por Stalin, jornalista militante de esquerda. Na reunião em Ialta, pouco antes do desfecho do conflito, os americanos cederam a Stalin sob a perplexidade de aliados, como De Gaulle e Winston Churchill. Ali, foi criada a “cortina de ferro” na genial denominação dada por Churchill.
E Espanha e Portugal, de forma discreta, hábil e sábia, impediu que a URSS cercasse e dominasse a Europa, com reflexos na América Latina. Primeiro com a guerra civil em Espanha, que barrou a comunização do país, e depois com a firme autoridade de Salazar, ocidental e cristão, em Portugal.
Na guerra, com a neutralidade, a qual muito se deve a Salazar que alertou Franco para o erro de uma postura conciliadora com os alemães. Franco influenciou a Argentina de Peron, assediada pelos alemães para o fornecimento de alimentos ao exército nazi, e o Brasil, que vivia o seu Estado Novo, ainda sob o trauma da trama de 35 que marcou profundamente os militares brasileiros.
No pós-guerra Stalin retomou a ação agressiva para a tomada do poder na Europa e na América Latina, comandando uma série de movimentos de doutrinação e de ações pela “luta de classes”, tendo limitado seu sucesso à Revolução Cubana em 1958, a alguns governos mais à esquerda, como México. Mas a guerra fria não deixou a Europa em paz, com os governos empenhados na reconstrução e sofrendo ações revolucionárias com greves e movimentos perturbadores do ambiente para o trabalho e o desenvolvimento. O sucesso em termos de ordem, segurança e coerência dos regimes ibéricos, ao longo dos anos 50 a 70, contiveram a subversão patrocinada pela União Soviética. Stalin colocou títeres no comando do comunismo nos países que formaram entre os mais influentes políticos ocidentais como Álvaro Cunhal, em Portugal, Santiago Carrilho, em Espanha, George Marchais, em França, e Palmiro Togliatti, em Itália.
Logo fica evidente que sem Franco e Salazar o século XX poderia ter sido mais sanguinário para o mundo. Espanha e Portugal foram decisivos na pré-guerra, na guerra, no pós-guerra e, por fim, na queda do muro.
Publicado em: Jornal o Diabo PT 16/09/26
