Entrevista : “O que é verdade sempre aparece”

Entrevista realizada ao site Panorama Mercantil :  www.panoramamercantil.com.br

 

Aristóteles Drummond nasceu em novembro de 1944, tendo ingressado no jornalismo em 64, nos Diários Associados (primeiro em O Jornal, e mais tarde por 20 anos no Estado de Minas e depois no Jornal do Commercio do Rio). Apresenta (ou já apresentou) programas de entrevistas na Rede Vida de Televisão. É debatedor da Rádio Catedral do Rio desde 1993 e colaborador das revistas Foco de Brasília e Encontro de BH. Escreve artigos semanais publicados na página 2 do jornal Hoje em Dia de BH às segundas, no Diário de Petrópolis aos domingos, no Diário de Barretos, no Correio da Serra de Barbacena, no Diário do Comércio de São Paulo e no O DIA do Rio às quintas. Quinzenalmente escreve na edição eletrônica do JB. É membro do PEN Clube do Brasil, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro e da Associação Cultural da Arquidiocese do Rio. Publicou em 1990, pela Top Books, o livro de ensaios “A Revolução Conservadora”. Em 1996, publicou uma edição revista e ampliada do “Vila Rica do Ouro Preto”, de seu avô Augusto de Lima Júnior, pela EGL, e, em 2000, a pedido da Academia Brasileira de Letras, organizou uma edição de “São Francisco de Assis – Poemas”, de seu bisavô Augusto de Lima. “Ser jornalista neste mundo de alta tecnologia é seguir as tradições da ética do jornalismo, na apuração dos fatos e no cuidado para não difundir informações que não correspondam a verdade”, afirma o jornalista.

 

O que é ser um jornalista num mundo altamente conectado?

Ser jornalista neste mundo de alta tecnologia é seguir as tradições da ética do jornalismo, na apuração dos fatos e no cuidado para não difundir informações que não correspondam a verdade.

 

No que o jornalismo está pecando atualmente?

O jornalismo hoje peca por ser mais opinativo do que informativo. Quem escreve ou comenta na rádio ou na televisão não consegue esconder suas preferências. Opinião é opinião, informação é informação, é preciso saber distinguir e não confundir.

 

O senhor ingressou no jornalismo em 1964. Como foi ver todos os fatos marcantes da nossa República in loco daquele ano em diante?

A mídia evoluiu, a televisão ganhou espaços, o número de jornais diminuiu muito nas principais capitais do país. A imprensa esteve presente nos grandes momentos da vida econômica e política desde 64. Recentemente, se pratica uma desinformação ao se esconder aquilo que passou a ser politicamente incorreto. Hoje estamos tendo mais um aniversário do famoso AI-5, que foi um forte instrumento de autoridade de três dos cinco Governos Militares. Ocorre que o Ato não surgiu do nada. Certo ou errado foi uma reação dos militares a uma situação anormal, com sequestros de diplomatas, assaltos a bancos, execuções sumárias, tudo dentro da proclamada “luta armada”. Esta reação autoritária permitiu o Governo vencer estes focos de violência. Infelizmente tendo de usar da violência também. Mas foi uma reação e não uma ação espontânea do regime. Entre os signatários um grupo de notáveis brasileiros, civis inclusive.

 

Um bom texto ainda seduz?

Claro que seduz. Tive a oportunidade de ter assistido em atividade gênios do texto jornalístico, como Carlos Lacerda, David Nasser, Paulo Francis, Hélio Fernandes entre outros.

 

Qual o maior erro dos grandes órgãos de imprensa na era digital?

Sem dúvida a mídia digital peca pela vulnerabilidade as fake news. É preciso mais cuidado. Mas é uma presença positiva mais pelo ponto de vista do pluralismo democrático que defendemos como ideal do que como contribuição jornalística mesmo.

 

Quais os maiores cuidados que um homem público deve ter no exercício do seu mandato?

Transparência absoluta, cuidado no trato de questões que envolvam dinheiro, seja direta ou indiretamente. Homem público tem de ser como a mulher de César…
O jornalista e escritor

Nos Acontecimentos: O jornalista e escritor, Aristóteles Drummond (Foto: Arquivo)

 

E quais os maiores cuidados que um homem público deve ter quando se relaciona com a imprensa?

Não fugir, ser claro, responder e dizer a verdade.

 

A imprensa ainda é o quarto poder?

Sim, incluindo a mídia digital.

 

Hoje temos em muitos casos, um ativismo travestido de jornalismo (às vezes nem tão travestido assim). Como leitores leigos devem agir para não cair no “canto da sereia” fazendo disso uma verdade quase absoluta?

Procurar conferir na mídia tradicional. O que é verdade sempre aparece. É falsa e no meu entender desonesta a afirmação muito comum de “isso a imprensa não divulga”. A mídia pode dar pouco destaque aos acertos do Governo, mas omitir não existe.

 

Quanto o jornalismo está deslocado da verdadeira realidade brasileira?

Está longe da verdade, aparelhada ideologicamente, pensando que forma opinião faltando com a verdade. A mídia desperta desconfiança, pois, está muito crítica e pouco isenta, nos temas nacionais como internacionais. E o fenômeno é mundial. Vide o que o Trump sofre…

 

Isso é irreversível?

É pelo encontro com a realidade da resistência do público. Toda mídia depende de bons índices de audiência. Quando perde audiência, perde receita. Quando perde receita tem de demitir, ficar endividada. Logo a pressão pela verdade pode levar ao realismo e voltar a ser uma imprensa do debate democrático e sem idiossincrasias. Existe uma janela democrática, da qual com minhas posições claras, definidas e pelos espaços que ocupo é prova. Mas dá trabalho…

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