AMARRAS NO DESENVOLVIMENTO

O Brasil vive o drama dos países influenciados por políticas populistas, que visam as próximas eleições e não as próximas gerações. A demagogia e o jogo de interesses travam o desenvolvimento, mesmo em casos óbvios do interesse nacional. É exemplo os projetos de energia híbrida, usando o mesmo espaço, mesma subestação e linha de transmissão de projetos eólicos e solar. O Grupo Votorantim, gerador para seu consumo nos setores do alumínio e cimento, está executando projeto no Nordeste, apesar de a regulamentação não ter sido ainda definida. Outras três empresas têm projetos relevantes aguardando uma definição do governo e do Parlamento.

O projeto de reabertura do jogo dorme no Congresso. Estima-se que apenas nos bingos e máquinas eletrônicas de apostas o benefício direto e imediato seria de cem mil empregos. O governo detém o monopólio das loterias, em mais de dez modalidades que movimentam biliões por semana. Mas resiste ao setor privado. A abertura da navegação de cabotagem, já aprovada em lei, enfrenta entraves que retardam o aumento do uso da via marítima muito mais econômica. E a reforma na administração pública, nos impostos e nas privatizações, estão devagar e podem acabar resultando em ganhos limitados. As empresas aéreas usam aeronaves sem cadeiras para transporte de carga, aproveitando o e-comércio que cresceu nestes meses de pandemia e alterou os hábitos de consumo para o futuro.

Precisa liberar o setor privado, com sua criatividade e agilidade, para empregar, e aumentar receitas. O mundo moderno não vai aguentar a administração pública inchada e com remunerações superiores ao mercado. Com tanta capacidade ociosa, a taxa de crescimento para este ano está sendo revisada para cima, em torno dos quatro por cento. Mas é pouco.

COVID

A CPI da Covid entra em fase de desgaste. Todos sabem que o presidente Bolsonaro negligenciou na aquisição de vacinas e estimulou “tratamento precoce” inventado por ele por inexistir no mundo inteiro. No mais, insiste em comportamento inadequado, promovendo aglomerações e sem usar máscara. Mas o fato é que foram cerca de 30 biliões de euros equivalentes, distribuídos às administrações locais e proporcionou casos gritantes de corrupção, que a CPI não investiga e apura. E o número das mortes permanece alto. A compra de vacinas pelo setor privado nem é mais aventada. Brasil está dependendo da China para os insumos das duas que fabrica – AstraZeneca e Coronavac –, enquanto chega, a conta-gotas, as da Pfizer. Com mais de 43 milhões de vacinados, o Brasil tem 60 países com melhor índice de vacina por cem mil habitantes. Junho promete aplicar mais quarenta milhões de doses. Mas permanecem duvidas sobre a entrega do prometido pelos fabricantes de IFA ou vacinas.

· O brasileiro desejoso de viajar à Europa, depois de meses de isolamento, encontra dificuldades pela União Europeia não reconhecer ainda a chinesa Coronavac. A vacina é majoritária entre as aplicadas a 40 milhões de brasileiros e boa parte dos latino-americanos, o que prejudica os mercados de Portugal e Espanha, em especial. Mas a OMS aprovou a vacina, abrindo uma janela para o reconhecimento.

 

Variedades

  • A Azul assumiu a liderança no setor aéreo interno. Está com 45% do mercado. A TAM está em segundo e a Gol, que já foi líder, em terceiro.
  • A Gafisa, construtora e incorporadora que foi por décadas a maior do país, no mercado de classe média para cima, volta a ter lucros. Efeito da entrada como acionista do empresário Nelson Tanure, há quase dois anos. Oriunda do Rio de Janeiro, hoje está também entre as maiores de São Paulo. Materiais de construção com aumentos de preço significativos, quando não, com oferta inferior a demanda. É o medo da inflação.
  • A Rede Record TV investiu nos jogos do Flamengo e já consolida um segundo lugar nos horários do time, que, neste final de semana, disputa a final do campeonato do Rio e está classificado para as finais da Libertadores. Sábado 22, o Flamengo sagrou-se campeão carioca.
  • Em várias capitais, a CNN Brasil já supera a Globonews, como canal de notícias. A queda da empresa do Grupo Globo abriu espaço também para a BandNews, que encontrava dificuldades para ter um lugar no mercado.
  • Situação na Argentina se agrava. Pandemia provoca lockdown severo e governo intervém na exportação de carne para forçar queda no preço interno. Isso nunca deu certo. Previsões sobre o país são sombrias e com naturais reflexos no Brasil.

 

Publicado em :  Jornal Sol/Portugal

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