A FORÇA DA MINEIRIDADE

A posição de Minas quanto à COVID-19 no cenário nacional é bem um retrato da sociedade formada pelos homens das montanhas. Disciplinado, ponderado, desconfiado e prudente, o mineiro, por vias das dúvidas, assumiu uma postura compatível com o isolamento responsável e nem por isso, especialmente no interior, deixou de exercer atividades produtivas.

O governo estadual, numa manifestação impressionante de afinidade com a cultura popular, foi prudente em montar amplo esquema de saúde para a hipótese de aumento nas ocorrências, ao mesmo tempo em que manteve diálogo positivo com as autoridades federais.

O governador Romeu Zema, que não é político profissional, mostrou ter a dose natural dos mineiros de habilidade e sensibilidade. Foi instado, insistentemente, pela mídia a criticar o presidente da República, mas não o fez, sem hostilizar seus indelicados inquisidores. Digamos que, à sua própria revelia, ganhou dimensão nacional com este comportamento.

Mesmo neste mundo moderno, de novos valores e de grandes migrações, vale observar como Minas mantém sua integridade cultural, com base na conciliação, na discrição, na segurança no trato dos assuntos públicos. Nunca teve casos escandalosos de alta corrupção. No setor privado, quebras significativas de empresas nunca geraram escândalos por qualquer tipo de fraude lesando pessoas ou o Estado. Os que tentaram aventuras ousadas, sem fundamento que não na ousadia própria dos delinquentes, foram cantar em outras paragens.

Alguns episódios da história republicana espelham posturas de sabedoria política, grandeza, generosidade e firmeza. Desde a Revolução de 30, com o comando de homens como Antônio Carlos e Virgílio Melo Franco, quando entrou no movimento para ganhar e ganhou; o Estado Novo, em 1937, que garantiu ordem ao país em época perturbada no mundo, incluindo a Guerra Mundial, teve como protagonistas dois ilustres mineiros, Francisco Campos e Negrão de Lima; com a redemocratização, a Constituinte de 46 se instalou, tendo sido eleito seu presidente o senador mineiro Melo Vianna. JK, eleito em 1955, teve duas insurreições militares oriundas da Aeronáutica, em Aragarças e Jacareacanga, frustradas e anistiadas a seguir por JK. Em 1964, foi de Minas que partiu a Revolução, iniciativa do general Olímpio Mourão, de Diamantina, e do governador Magalhães Pinto. Todos os vices civis dos presidentes militares eram mineiros: José Maria Alkmin, Pedro Aleixo e Aureliano Chaves. E, na redemocratização, o primeiro civil eleito foi Tancredo Neves. Na primeira eleição direta, o vice do vitorioso Collor de Mello foi o mineiro Itamar Franco, que devolveu a ordem econômica ao Brasil com o Plano Real.

Na série de escândalos que abalaram o Brasil nos anos PT, Minas esteve praticamente ausente. Mineira de nascimento, a presidente Dilma Rousseff nada tinha com a terra, politicamente era gaúcha, e por tal foi impedida e depois rejeitada pelos mineiros na tentativa de obter uma cadeira no Senado.

Agora, em meio a esse caos político que vivemos, surge naturalmente a conciliação mineira, racional e prudente, com o seu governador.

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