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Ao que tudo indica, o Brasil está a caminho do desfecho de uma crise múltipla, que pode provocar uma mudança significativa em seu futuro.
Em relação à democracia, a eleição polarizada leva a crer que no pleito só haverá um perdedor: o país como um todo, em que o eleito não terá condições de administrar um conjunto de problemas de grandeza inédita na história.
Na economia, é inevitável um colapso diante da dimensão da dívida pública, das contas descontroladas, da ameaça da inflação, do desinvestimento e suas consequências sociais. A fatura da gastança é enorme desde que o objetivo dos governos passou a ser a reeleição, infeliz iniciativa do presidente Fernando Henrique, movido pela ambição, vaidade e maus conselheiros.
No modelo institucional, fica cada vez mais inadministrável um regime que não é presidencialista nem parlamentarista. O Legislativo invadiu o orçamento de tal maneira que o Executivo passou a gerenciar os gastos obrigatórios e praticamente não ter espaço orçamentário para investir.
A Previdência cresce nas despesas e diminui na receita de uma economia cada vez mais informal. Mas tudo tem um limite e, na Previdência, este parece estar próximo de um impasse. Dívidas pública e da população quase impagáveis alimentam altos juros. Como resolver estes problemas sem medidas fortes, austeras e algum sacrifício?
O Judiciário é o ponto alto da desfiguração do Estado brasileiro. Interfere como legislador em todas as áreas, socorre o governo quando solicitado, afronta os esforços de todos pela contenção de despesas. Possui os mais altos salários do país. Ignora o Legislativo, não respeita imunidade parlamentar. Aproveitaram as bobagens de Bolsonaro para colocar na cadeia oficiais generais que, no máximo, atendiam a chamamentos do presidente da República e davam opinião; nunca atendendo aos delírios do derrotado que construiu a derrota. Mesmo assim, cassam mandatos e anulam projetos aprovados. E os casos de abuso de poder, envolvimento com negócios e projetos pessoais de altos magistrados com patrocínio privado colaboram para uma crise de confiança inédita na História. E o mais grave, tudo conhecido, comprovado, não explicado. Acima destes senhores hoje, só Deus.
Uma pena um país que teve um Duque de Caxias e Pedro II chegar a este ponto.
Puclicado em: Jornal O Dia
