Vivemos estes anos de tal radicalização mundial que a verdade varia ao sabor dos ódios ou paixões, quase sempre irracionais.
No caso brasileiro, o absurdo maior pode ser o questionamento do resultado eleitoral de 2022. Bolsonaro pode ter sido prejudicado na campanha como reação à coleção de atritos que provocou ao longo do mandato. Mas construiu a derrota, que foi por pouco, pois fez bom governo. Nas máquinas, perdeu, inclusive com auditoria de técnicos das Forças Armadas. As mesmas máquinas elegeram todos os governadores dos estados ricos e deu maioria ao centro democrático e à direita populista no Congresso Nacional.
Dentro desta cultura de paixões e ressentimentos, ganha espaço – e financiamento – filmes de boa qualidade com mensagem de ódio aos 21 anos de regime autoritário que vivemos em ordem e progresso. Um exagero desmedido a reação das polícias aos grupos armados que sequestravam, assaltavam e executavam adversários ou inocentes, como os militares estrangeiros de passagem pelo Brasil. Um deles, um alemão, os executores reconheceram ter sido por engano. Claro que houve exageros lamentáveis e condenáveis. Mas foi depois do regime que estados governados pela oposição aos militares em São Paulo e no Pará que ocorreram barbaridades, como Carandiru e Eldorado dos Carajás, embora neste último os policiais tenham sido atacados e reagiram talvez em excesso. Este tipo de violência policial não é privativo de governos fortes. Nem aqui nem em nenhuma parte do mundo.
Curioso que neste massacre no Irã, onde mulheres são tratadas como seres inferiores, numa ditadura violenta, o silêncio das esquerdas impressiona, assim como a maneira disfarçada com que se condena a ação de resgate econômico, ético e de liberdade na Venezuela.
Percebe-se, entretanto, uma reação da maioria que está deixando de ser silenciosa, nas redes sociais e na mídia em geral. Não tomando partido, mas defendendo a verdade e vendo a situação com seus lados positivos e negativos.
Publicado em: jornal Correio da Manhã 22/01/26
