O que fica dos governantes

A história vem registrando insistentemente a narrativa de conflitos políticos, crises, guerras, ao abordar períodos marcados por líderes que dominaram seus países com mão de ferro. Mas quem lê as biografias ou livros que abordam estes personagens sabe que essa imagem fica distante do real, concreto, que estes homens legaram a seus países e seus povos.

A atividade estéril da política, da ideologia, dos conflitos internos ou externos, deixou narrativas. Reformas para valer e obras públicas ousadas para a época de cada um é que são lembradas, não conseguindo ser apagadas da memória oral de geração para geração.

São exemplos na história, nomes mais conhecidos pelos erros do que pelos legados positivos. Napoleão é lembrado pelas batalhas, pelas guerras, e não pelos avanços dados a seu país e até ao mundo ocidental, como o sistema métrico decimal, o código napoleônico que até hoje influencia o Direito dos países latinos. Seu sobrinho, Napoleão III, foi o criador desta Paris linda que conhecemos, de anos dourados na vida cultural da França.

Na Itália, são inúmeros os livros narrando a trajetória até o poder de Mussolini, a implantação do regime autoritário, a aliança infeliz com o Eixo. Mas, na memória dos italianos e de outros, o Duce foi o homem que criou o Estado do Vaticano, implementou as ferrovias exemplares na Europa, as primeiras estradas de duas pistas, fundou o cinema italiano com a Cinecittà, construiu os primeiros bairros populares no entorno de Roma, o centro administrativo monumental do EUR, a recuperação dos pântanos em que proliferava a malária entre Roma e o aeroporto, região conhecida como Pontino, que fornece produtos hortícolas até hoje para a capital italiana. O Foro Mussolini – hoje, Italico –, cidade universitária, e as estações ferroviárias de referência até hoje como as de Milão e Termini, em Roma. A Copa do Mundo e os jogos olímpicos, com seus equipamentos usados até hoje. Nada disso é contado, mas o povo sabe. Além, é claro, das leis trabalhistas, de proteção ao trabalhador, copiadas em quase todo mundo, a começar pelo Brasil de Lindolfo Collor e Getúlio Vargas.

A Portugal, Salazar e seu ministro Duarte Pacheco deram obras relevantes, desde a ponte- que lhe tomaram o nome- ao parque de Monsanto, ao Estádio Nacional, a urbanização da região da Torre de Belém, o acesso a Cascais por autoestrada e trens modernos. Instituições como o Laboratório de Engenharia Civil de Lisboa, de renome internacional, e os primeiros grandes hospitais do país. Sem falar nos prédios que consolidaram a Universidade de Coimbra, como a faculdade de medicina. Mas os livros insistem em falar da PIDE, da censura, da morte do General Delgado. Do exemplo de austeridade no trato do dinheiro público, por ele e seus auxiliares, nem uma palavra. E da postura sábia na guerra, do acolhimento aos judeus… silêncio total! Assim é também em relação aos ganhos políticos relevantes, como aconselhar Franco a não entrar na guerra e a ter ingressado na ONU, apesar do veto da União Soviética.

No Brasil, repetem a história de “desaparecidos”, cuja lista cresceu na mesma medida em que famílias recebiam indenizações, e da violência na repressão aos militantes comunistas que sequestravam, promoviam atentados, execuções, assaltos. E é

como se o país não tivesse saído da 46ª posição entre as economias do mundo para a oitava, em 21 anos, e não fosse dotado de avanços na renda per capita e no parque industrial nos anos dos militares, que foram dourados, com crescimento chinês de 10% a 12% como no governo Médici. Não foram anos de chumbo, como é referido pelos esquerdistas.

Falta ao mundo uma verdadeira comissão da verdade! Sem fins lucrativos.

 

Publicado em : Jornal O Diabo/Portugal 30/06/2021

você pode gostar também Mais do autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.