O FUTURO DO RIO

O processo de impedimento do governador do Rio de Janeiro deve ser rápido. Ninguém de espírito desarmado acredita que o governador possa se sair bem diante de tantas evidências de irregularidades e da constatação de contratações onerosas e fraudadas, como os hospitais de campanha não entregues e os concluídos sem equipamentos e pessoal para atender a crise. A eventual demora no afastamento só pode agravar a já crítica situação financeira do Estado e as deficiências nos serviços básicos prestados à população. A cirurgia deve ser rápida e precisa, com o afastamento logo que o processo seja aberto. Não existe espaço para demoras que não possam macular mais ainda a imagem do Legislativo estadual, diante de uma rara oportunidade de resgatar um mínimo de confiança popular.

Parece evidente que o vice-governador, Claudio Castro, vá deixar bem claro que vai restabelecer o diálogo com o governo federal, tratar de montar um esquema de controle nos pagamentos dos contratos da pandemia sob suspeição, pedir a preventiva dos envolvidos de forma mais notória, abrir canais de comunicação permanente com a sociedade, dando segurança aos empresários que precisam investir para que a arrecadação e o emprego se recuperem a contento. Além de pedir agilidade na liberação de projetos de parcerias urgentes, como os casos de todas as estradas federais de acesso ao Rio.

Vai precisar de coragem, apoio federal e das lideranças do Rio para avançar na privatização da CEDAE, diminuição do tamanho do Estado, na implantação de reformas que tornem o estado menor, mais eficiente e de menor custeio.

O fracasso do futuro governador, caso não consiga formar uma equipe e um projeto que seja confiável a todos os atores políticos, administrativo, empresariais envolvidos no resgate do Rio, pode atrasar em pelo menos dez anos qualquer tentativa viável de recuperação. O poder público, sem recursos, vai depender de parcerias, da atração de capital, de oferecer segurança jurídica, mas ética e moral, a um estado já suficientemente desgastado por casos de corrupção.

Na esfera política, seria de grande sabedoria que o vice-governador, investido na função, anuncie que, dada à gravidade da situação e a carência de tempo, não irá participar das campanhas municipais, deixando para depois a formação de sua base de apoios municipais. O Rio tem uma boa tradição dos municípios se relacionarem bem com o Palácio Guanabara, não precisando, portanto, se envolver numa luta que não teria como não provocar desgastes.

Cláudio Castro vai ter o seu e o nosso futuro em suas mãos.

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