Crise política vai ficar até 22

Não tem pandemia nem crise social ou econômica que possa arrefecer o clima tenso no ambiente político brasileiro. O presidente Bolsonaro não vai ceder e parar de agredir parlamentares, juízes e a mídia. E tem abusado de palavras grosseiras. Voltou a defender o não uso de máscaras antes da vacinação chegar a pelo menos 60% da população.

O presidente conseguiu colocar os militares no jogo político. Mas com o alto preço de certo desconforto da oficialidade, que não aprova as manifestações dos comandantes. Bolsonaro já sabe que as sondagens de opinião refletem corretamente seu desgaste. E seu comportamento descontrolado comprova. Ao prorrogar por mais três meses o auxílio em dinheiro a cerca de 60 milhões de brasileiros, aumenta o endividamento em cinco mil milhões de euros equivalentes.

O mais curioso é que o governo tem tido um desempenho positivo, no geral, com bons resultados na economia e robusta possibilidade de melhora na medida que as reformas e a vacinação consigam avançar nas próximas semanas.

O país está dividido, posições radicais se refletem em todos os círculos, inclusive nas famílias. Uma parte da sociedade luta pela volta à normalidade, investe, planeja e ousa. Outra parte vive dos embates políticos, da pregação ideológica e a estimular a estagnação.

Inacreditável quando deveria ser inaceitável. Na verdade, nenhum dos grupos – governo e oposição – têm razão.

Variedades

  • Cada parlamentar custa ao país cinco milhões de dólares por ano, dividindo o orçamento pelo número de senadores e deputados. Pelo mesmo critério, a Argentina está em segundo lugar. Democracia cara!
  • Rodrigo Pessoa, que possui três medalhas olímpicas no hipismo, sendo uma de ouro, estará em Tóquio fazendo sua oitava presença numa Olimpíada. Rodrigo está com 48 anos e seu pai, Nelson Pessoa, também foi cavaleiro relevante nas olimpíadas de 56, em Melbourne, e de 61, em Tóquio.
  • Neste domingo, haverá a decisão da Copa América, com o jogo do Brasil e Argentina, no Maracanã, no Rio de Janeiro.
  • O Rio, finalmente, vai ganhar o Museu da Imagem e do Som, cuja obra estava paralisada. Foi o presente do governador Cláudio Castro pelos 129 de Copacabana. O museu, que é um ousado projeto de um arquiteto americano, fica na famosa praia. Tem um bom arquivo da música popular.
  • As restrições provocadas pela pandemia limitaram a 30 os convidados para o casamento do Príncipe Pedro Alberto de Orleans e Bragança com Alessandra Fragoso Pires, na Igreja do Outeiro da Glória, no Rio.
  • No Festival de Cannes, o diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho é um dos nove juízes do júri que vota as premiações. Embora reconhecido como cineasta, Kleber Mendonça é um militante de esquerda radical. No mesmo festival, há anos, defendeu no palco a então presidente Dilma, que estava sendo afastada da Presidência. Dessa vez, estimulou o presidente do festival, o americano Spike Lee, a atacar o presidente do Brasil.
  • Em Ouro Preto, a mais importante cidade histórica brasileira, o assunto é a condenação da secretária de Planejamento, por corrupção, em passagem anterior pela municipalidade. Crovymara Batalha disputou e perdeu uma eleição para a Câmara, ligada aos partidos de esquerda, e recebeu o cargo como compensação. O prefeito Angelo Araújo é acusado de passar mais tempo na capital, a 100 Km, do que na cidade.
  • A Rede Globo já está gravando o remake da novela Pantanal, que foi sucesso há 30 anos na Rede Manchete. Curioso é que o papel do peão Trindade foi entregue a Gabriel, filho do ator da novela original, Almir Sater.
  • Pandemia continua a recuar, a média de óbitos pouco acima de mil por dia, a vacinação avança e os novos casos em declínio. A inflação pode chegar a sete por cento.

 

Publicado em:  Jornal Sol/Portugal 19-07-2021

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