BRASIL PRESENTE

As sondagens de opinião começam a apontar para o declínio da popularidade do presidente Bolsonaro. Curioso é que os motivos declarados pelos entrevistados não são os apontados pela oposição, especialmente a mídia. A decepção é com as atitudes negacionistas em relação à pandemia, que fecha a semana com mais de 400 mil mortos, a dificuldade de aprovar reformas atribuída a sua falta de diálogo com o Congresso. A base que permanece fiel ao presidente é a composta pelos evangélicos, que já contou com a simpatia de 70% e hoje oscila na casa dos 40%, e os que ainda recebem uma mesada do governo (41 milhões agora), portanto, muito volátil.

O discurso na reunião do clima presidida por Joe Biden, que foi manchete em todos os jornais, não foi percebido pela população que está mais preocupada para os temas ligados à “vacina no braço e comida no prato”. O povo parece mais voltado para a realidade, e não nos debates que ocupam políticos, magistrados e professores, que, mesmo com pandemia, recebem seus salários pontualmente.

Bolsonaro não para de se comprometer. Em entrevista à TV do Amazonas, condenou isolamento mais uma vez e, indo mais longe, afirmou que estão levando o povo ao pânico. Para completar, afirmou que os dados de ocupação de leitos de tratamento intensivo são melhores financeiramente para os hospitais. E ainda acusou a OMS de criar este clima.

Um senador, membro da CPI, comentou, lembrando frase atribuída a Buda, que “três coisas não podem ser escondidas por muito tempo: o sol, a lua e a verdade”.

Na economia

  • O Grupo LafargeHolcim, o terceiro em produção de cimento no Brasil, anunciou que vai se retirar do país. Entregou a uma empresa do Banco Itaú a missão de encontrar comprador. São dez fábricas espalhadas por diversos estados.
  • O senador José Serra, que foi candidato duas vezes à Presidência da República, ligado ao ex-presidente Fernando Henrique, é um dos defensores da quebra de patentes para medicamentos em exame no Congresso. Serra foi militante de esquerda e viveu muitos anos fora do Brasil. A quebra de patentes, segundo as entidades empresariais mais tradicionais, pode isolar a economia brasileira em momento delicado como o que vivemos. É a ideologia superando a razão.
  • A italiana Enel, uma das grandes no setor elétrico, projeta colocar, até o final do ano, autocarros elétricos em pelo menos três cidades importantes, Rio, São Paulo e Salvador. E a cervejeira Ambev encomendou 1.660 caminhões elétricos de entrega à VW, para entrega até 2023.
  • Agravaram-se as dificuldades do grupo hoteleiro Othon, que foi relevante no Rio, Minas e Bahia. Os hotéis de Belo Horizonte e Salvador, desativados, na tentativa de venda, em leilão, não obtiveram licitantes. O de BH tem uma proposta de grupo local na casa dos 30 milhões de reais. O hotel tem 300 apartamentos, galeria comercial e lojas, e fica na avenida central da cidade. Algumas de suas unidades no Rio, em Copacabana, já foram vendidos.

VARIEDADES

  • O Patrimônio Histórico Nacional tombou quase todas as construções projetadas por Oscar Niemeyer, em todo o país.
  • O Edifício A Noite, o primeiro da América Latina com cem metros de altura, em 22 andares, inaugurado em 1929, será vendido pelo governo. Situado diante do Porto do Rio, região que está sendo reabilitada, sediou o jornal homônimo e foi projeto do francês Joseph Gire, o mesmo do Hotel Copacabana Palace, da sede do Fluminense Futebol Clube e da Igreja de Santa Teresa.
  • Nas mídias sociais a noite do Oscar foi alvo de muitas críticas e a audiência das televisões na noite comprovam que o novo modelo não agradou.
  • A comunidade israelita brasileira não gostou do repasse de quase trezentos milhões de dólares pelo governo Biden, a autoridade palestina. Atribui os ataques a sensação de proteção dos EUA, até há pouco o grande protetor de Israel.

Publicado no Jornal : Jornal Sol/Portugal

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