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Neste clima emocional e passional em que vivemos, os militares estão sendo vítimas do chamado “fogo amigo”. Trata-se da insistência na tese de que o pleito de2022 pode ter sido fraudado e as urnas viciadas.
Nada foi provado, muito menos desconfianças com um mínimo de respaldo técnico. As Forças Armadas foram chamadas a auditar ou examinar o sistema e as máquinas. Nada constatado. Chegou-se a forçar a afirmação de que os exames nada encontraram, mas que poderia eventualmente ter falhas. Até então ninguém reclamou entre os milhares de candidatos eleitos com uso das máquinas e a sua utilização já estava na 11ª eleição.
Os militares não são fiscais da Justiça Eleitoral, não são instrumentos de ação judicial nem política. Garantem apenas a ordem nas eleições.
Na verdade, os condenados foram vítimas do revanchismo, pois compareceram às reuniões quando chamados pelo Comandante em Chefe das Forças Armadas. E os encontros foram trocas de ideias, e sem o Comandante da Aeronáutica, único que foi explícito em rejeitar conversar por qualquer contestação ao resultado aceito pela sociedade em geral. O que narra em detalhes no livro que está lançando.
O prestígio histórico dos militares se deu e se dá justamente pela conduta equilibrada, fundamentada na obediência da lei e da ordem. O resultado era previsto nas pesquisas, nas conversas de políticos, no noticiário das mídias. A abstenção e votos brancos ou nulos – 38 milhões – evidenciaram que muitos brasileiros não quiserem embarcar em aventuras. Em 22 como agora as opções não atendem a paz e união.
A sociedade não tem o direito de cobrar um comportamento não previsto dos militares. Esta cobrança só beneficia a escalada revanchista e golpista dos que querem anular a presença dos militares como defensores da ordem e da liberdade, sem servir a partidos ou candidaturas.
Defender os ideais de 64 e o papel cívico dos militares é protestar contra as condenações de oficiais e, em especial, do Gal. Augusto Heleno, que nem participou de reuniões.
O revanchismo explora esta divisão que não tem sentido.
Publicado em: Jornal Inconfidencia 05/09
