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Uma consulta aos livros de História recente do país, últimos cem anos, mostra a permanente presença de militares na construção do país de forma desinteressada e sem ambições pessoais. Em 64, o quadro interno e externo pediu que a presença militar se desse, mas com rotatividade no poder e uma série de limitações, algumas desnecessárias como o limite de afastamento para funções civis de dois anos, instituído pelo presidente Castelo Branco.
Nos 15 primeiros anos de Getúlio Vargas, de 1930 a 1945, os militares estiveram presentes, mas como garantidores da ordem e da estabilidade do regime. Homens notáveis, como os generais Dutra, Canrobert, Cordeiro de Farias, Góis Monteiro, almirantes Conrado Heck, Protógenes Guimarães e Guilhem, sustentaram o regime no exercício do comando das duas forças. A Aeronáutica foi, com militares oriundos das demais forças, impecável no período.
O detalhe é que a influência sempre esteve restrita aos mais altos interesses nacionais. Garantiram os anos de paz interna no período da guerra sustentando o Estado Novo, que veio depois da Intentona Comunista de 1935 e afastou da vida nacional a radicalização instalada. Tudo com habilidade, sabedoria, harmonia. Quando o presidente achou que era o momento do Brasil tomar posição no confito mundial, em 1942, os militares logo se organizaram para garantir uma presença honrosa de nossas Forças Armadas no conflito. E dali surgiu um grupo de notáveis que, de regresso e vitoriosos, muito fizeram pelo país, como Amaury Kruel, Humberto Castelo Branco, Cordeiro de Farias, Nelson de Melo, Nero Moura e até um neto da Princesa Izabel, D. João de Orleans e Bragança, que trazia aviões dos EUA para o Brasil.
Não é justo, é sempre bom repetir, se criticar ou palpitar sobre o papel dos militares na construção e manutenção de um Brasil livre e ordeiro. A história mostra que no momento certo, na hora certa, em atendimento à vontade e ao interesse nacional, os militares nunca faltaram. E não faltarão. Sempre pelo Brasil como um todo e não tomando partido em disputas políticas ou para atender a este ou aquele grupo.
O modelo continua a ser aquele que prevaleceu entre 64 e 85, discretos, austeros, famílias longe da política e dos postos de governo, cumprindo missão e não atendendo a ambições.
Publciado em: Jornal Inconfidencia 02/02 /26
