SINAL VERMELHO

Estamos em área de turbulência. As péssimas práticas administrativas perduram, como se não bastassem as dificuldades crescentes na economia, as dúvidas em reverter a desconfiança dos mercados em relação ao ambiente de negócios no Brasil, os escândalos envolvendo corrupção nos mais altos níveis da República, a crise mundial que impossibilita a obtenção de financiamentos e de novos investimentos. Nada leva os governantes em geral a uma maior atenção no uso das entidades públicas, especialmente estatais, para fins políticos menores.

Estamos em área de turbulência. As péssimas práticas administrativas perduram, como se não bastassem as dificuldades crescentes na economia, as dúvidas em reverter a desconfiança dos mercados em relação ao ambiente de negócios no Brasil, os escândalos envolvendo corrupção nos mais altos níveis da República, a crise mundial que impossibilita a obtenção de financiamentos e de novos investimentos. Nada leva os governantes em geral a uma maior atenção no uso das entidades públicas, especialmente estatais, para fins políticos menores.

Os casos de corrupção seriam contidos com medidas pragmáticas, tais como acesso das empresas de auditoria a contratos e seus valores na prestação de serviços e compra de equipamentos e materiais. Também informar mensalmente quais os dez maiores salários ou contratos de consultoria, o maior e menor salário pago no mês e os índices de absenteísmo. Nas estatais não existem estatísticas confiáveis e não se pensa em descontar ausências ao serviço. Um corporativismo que afronta o trabalhador do setor privado. E passa de governo a governo.

No entanto, o mais curioso é que, depois de uma clara condenação da sociedade ao que se convencionou denominar de “aparelhamento do Estado”, as estatais, sejam federais ou estaduais, contratam e requisitam, criando constrangimentos no funcionalismo de empresas que nunca passaram por uma situação como esta. E mais: quando se verifica erros de gestões anteriores, no lugar da devida correção o que vem ocorrendo é o que o povo denomina de “operação troca de moscas”. Os próprios salários de dirigentes de estatais ou empresas com participação significativa de estatais são superiores aos praticados no mercado. Muita gente de responsabilidade não sabe que são comuns salários superiores a cem e vinte  mil reais em subsidiarias travestidas em empresas privadas.

Essas práticas, a bem da verdade, ocorrem em gestões de diferentes partidos políticos, criando ilhas paradisíacas no setor produtivo. E como as maiores empresas privadas do Brasil hoje recrutam quadros no setor público, ou fora de controladores, a cumplicidade leva a uma verdadeira cortina de silêncio. E a nenhum compromisso com a eficiência.

É preciso atender aos reclamos da sociedade, que quer saber quem anda nos jatinhos, quais as despesas de cartões de crédito de autoridades e dirigentes de estatais e quais os critérios na emissão de bilhetes aéreos. Tudo seria fácil com vontade política.

Nessa mania de se criticar tudo o que aconteceu nos governos militares, ninguém se lembra que toda e qualquer nomeação, na administração direta ou indireta, passava pelo crivo do SNI, para verificar os antecedentes dos indicados. Só depois do “nada consta” a nomeação era feita. Os vetos eram baseados em fatos concretos, tais como processos civis, criminais, fiscais, inquéritos administrativos e outros. E o padrão de vida dos ocupantes de cargos públicos, e seus parentes, era alvo de acompanhamento.

Tudo isso é observado pelos analistas econômicos, daqui e de fora, gerando dúvidas sobre a conveniência de se investir em país com burocracia, altos impostos, corrupção e descaso no trato da coisa pública. A situação da Petrobras, como maior empresa devedora do mundo, ainda dará o que falar. Assim como estranhas operações de recursos nacionais transferidos para países sem tradição de honrar compromissos financeiros.

Estamos no meio do ano e muito pouco foi feito de concreto, confirmando os temores de que, no final, tudo ficará como antes. Crise na economia, inflação, impunidade, quebra da confiança popular nas instituições.

O Brasil não acaba com a geração que está no poder. A maioria da população é jovem, aspira a viver em país sério, com segurança, justiça e progresso, mirando nas sociedades mais avançadas não naquelas que não conseguem sair do atoleiro da corrupção e da incompetência, com raiva dos ricos e sem pena dos pobres.

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