O DRAMAS DA POPULAÇÃO DE RUA NA CIDADE

O Rio completa 450 anos sem conseguir eliminar alguns de seus problemas graves, mas de baixo custo para o poder público. E, no entanto, são importantes na qualidade de vida da população, na imagem da cidade, no fortalecimento de sua vocação para o turismo – hoje, prioridade em função da rede hoteleira ter baixos índices de ocupação.

Um dos mais antigos é a questão da população de rua, que, no passado, eram denominados mendigos, normalmente inofensivos. Depois, com o tempo, o número foi crescendo, o alcoolismo tomou conta primeiro e, na sequência, vieram as drogas e a violência. A exploração de menores na mendicância foi praticamente eliminada, mas  parece estar tentando voltar discretamente. A estimativa é que, entre o centro e a zona sul, seja perto de seis mil os moradores de rua.

Na região da Praça Paris até o Aeroporto, incluindo o Aterro e os jardins no entorno do MAM, a ocupação afronta a população e oferece um espetáculo degradante a quem chega à cidade. A calçada em frente ao Aeroporto Santos Dumont, “despoliciada”, colocam os passageiros que chegam ou partem diante do assédio de menores que se oferecem como engraxates, quando, no saguão do aeroporto, tenha os serviços prestados por profissionais que pagam pelo espaço e as cadeiras. No embarque da Rodoviária Novo Rio, a situação é assustadora.

Em Copacabana, a ocupação já tornou inviáveis muitos restaurantes e faz do calçadão da Avenida Atlântica uma zona perigosa a qualquer hora do dia. E, na Avenida Copacabana, a situação não é diferente. Os moradores, que pagam um IPTU alto, estão praticamente presos em casa. Nada justifica se atender aos que defendem esta verdadeira vergonha para a cidade. Afinal, a indiferença em relação a estes infelizes, doentes em boa parte, compromete a cordialidade e a formação solidária e acolhedora dos cariocas. Não retirar, para atender a pessoas equivocadas, que são os defensores deste “status-quo”, apequena as autoridades responsáveis pela cidade, sejam municipais, estaduais ou federais, e a própria sociedade. Todos deveriam se unir em torno de um projeto exemplar de acolhimento, tratamento médico, reeducação e reinserção na sociedade. Com tanta bolsa-família e outros programas sociais, não se entende o abandono de um problema grave, que retira empregos de milhares de profissionais e humilha os cariocas e fluminenses.

A crise na economia pode tornar a situação mais dramática, estando hoje presente em muitas cidades do interior. E algumas que vivem do turismo, como Búzios, onde a abordagem e pequenos delitos nas praias, especialmente por parte de menores, são fatores determinantes do não retorno de muitos turistas.

Fingir que o problema não existe é tapar o sol com peneira. É uma postura egoísta e demonstra inacreditável insensibilidade.

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