Histórias E Estórias #62

A vocação para empreender continua a ser o fator mais determinante para o sucesso das empresas. São muitos os exemplos de negócios montados por expoentes da vida acadêmica, ou donos de capital, que malograram. No Brasil, as empresas familiares dificilmente passam da segunda geração do fundador.

Por isso, é digno de registro o centenário do Grupo Luiz Severiano Ribeiro. A maior empresa de cinemas do país atua em muitos estados da federação, com uma oferta de cinquenta mil assentos, que no ano passado receberam um público superior a 22 milhões de espectadores.

O grupo abriu seu primeiro cinema em Fortaleza, em 1917, com o Majestic, que se tornou referência da capital cearense. Depois veio para o Rio, com os emblemáticos Odeon, Roxy, Leblon, Pirajá, Copacabana e tantos outros, incluindo Niterói e Petrópolis. Foi o pioneiro em Brasília e, finalmente, chegou, nos anos 1980, a São Paulo, com o conjunto de salas Kinoplex, na capital, em Campinas e Santos.

Fundado por Luiz Severiano, foi expandido por Luiz Severiano Ribeiro Junior – também grande produtor de filmes com a histórica Atlântica, que lançou Oscarito, Grande Otelo e outros nomes. E, nos últimos  anos, consolidado por Luiz Severiano Neto, que lidera um conselho familiar com modernas práticas de governança.

As demais empresas que marcaram a exibição no Rio e no resto do país, também familiares, como as de Paschoal Segreto Sobrinho, Francisco Serrador e Lívio Bruni, desapareceram.

Hoje, o forte são as salas nos shoppings, modernas, de última geração em termos de tecnologia, e com a segurança que o momento exige, embora mantenha casas de referência de rua.

O Rio perdeu, nos últimos 50 anos, referências empresariais como Banco Boavista, Mesbla, Auto Modelo, Casas da Banha, Brastel, Ducal e Moreira Calçados, entre outras. São Paulo viu fecharem as portas de empresas icônicas como Mappin, Old England e Banco Mercantil de SP. Sobreviver é um grande desafio e manter o controle na mesma família, maior ainda. Mas o empresário criativo recebe o dom da visão e depois é só saber formar herdeiros, a começar pelo exemplo de conduta.

As chamadas fortunas tradicionais sempre foram marcadas pela discrição, vida austera e longe da ostentação, tão comum nos dias de hoje. Nessas famílias, as regras de comportamento são muito próximas às das famílias nobres, especialmente reinantes ou em linha de sucessão monárquica, em que os padrões éticos, morais e comportamentais são rigorosos.

Caso típico é o centenário do grupo Luiz Severiano Ribeiro. Bom exemplo de pai para filho e de filho para neto.

Vale o exemplo!

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