Histórias E Estórias #61

É imperdoável a omissão das escolas brasileiras no que toca a noções de civismo, ética, comportamental, solidariedade para com o próximo, assim como responsabilidade social. Durante o período militar, havia a cadeira de Moral e Cívica, que prestava bons serviços e podia ser aproveitada em todo e qualquer tipo de regime e governo.

 

Com a vontade de acabar com o que chamavam de “entulho autoritário”, os quase anarquistas aproveitaram para dar cabo de uma série de iniciativas positivas, em que a Moral e Cívica foi a primeira. O culto à bandeira foi abolido nas grandes cidades, assim como o Hino Nacional. Os demais, como da Independência, da bandeira e da abolição então… nem se fala mais.

 

A reboque deste grito supostamente libertário, os professores passaram a comparecer às salas de aula de camisetas, bermudas e sandálias, assim como os alunos. Os uniformes passaram a rarear. Esqueceram que a apresentação de alunos, professores e das próprias instalações dos centros de ensino faz parte da educação que forma um povo respeitado.

 

 A autoridade do professor foi embora e são muitos os que sofrem agressões de alunos, sem o recurso da punição. Por estas e outras é que muitos abandonaram a profissão, sempre sofrida, mas prestigiada e admirada, movida pelo idealismo, especialmente entre as mulheres. Não se sabe a quem esta situação serve, ou a que ideais.

 

O ensino no Brasil precisa ser repaginado, não só no currículo escolar, mas nos códigos de disciplina, para que a escola volte a ser ponto relevante na formação do cidadão. Talvez esta necessidade explique, por um lado, o destaque verificado no Enem de colégios militares e, por outro, o desprestígio do Pedro II, que foi referência de qualidade por mais de um século.

 

O Governo do Distrito Federal, no início dos anos 2000, implantou dois regimes admiráveis e que deveriam servir de exemplo para todo o país: a criação de milhares de bolsas na rede privada, com grande alcance na integração social dos jovens, e a entrega anual a uma comissão de pais de alunos e professores da verba de manutenção das escolas. Com isso, dava agilidade ao trato de problemas naturais do dia a dia, como correções nas instalações elétricas, hidráulicas e outras de menor porte.

 

O que pensar de um país que se omite diante da vandalização de banheiros nas escolas, de vidraças quebradas, muros sujos, alunos e mestres vestidos com desleixo? Os pais devem tomar a iniciativa de pautar estes assuntos, que parecem relevantes para o futuro de seus filhos

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