Histórias E Estórias #58

Havia na história do Congresso Nacional uma tradição de contar com nomes de grande expressão intelectual, empresarial e da mídia de nosso país. A Constituinte de 46, por exemplo, acolheu um grande escritor de esquerda, do Partido Comunista, que foi Jorge Amado, e o nosso antropólogo-mor, Gilberto Freyre, da UDN, mais a direita. E assim foi nas legislaturas seguintes, num suceder de notáveis.

Magalhães Pinto, deputado, senador e governador de Minas, era banqueiro, assim como o atuante deputado paulista Herbert Levy. Minas ainda teve Gilberto Faria e Antonio Luciano, donos de bancos. O líder da FIESP, Roberto Simonsen, foi senador, os presidentes da Confederação Nacional da Indústria, como Euvaldo Lodi, Albano Franco e Armando Monteiro, do Comércio, Jesse Freire, do Rio Grande do Norte.

A Academia Brasileira de Letras está, pela primeira vez, fora do Congresso. José Sarney foi para ABL como escritor, muito antes de ser Presidente da República, como parlamentar. Marco Maciel  é outro que foi como notável na educação. Afonso Arinos Sobrinho Neto assumiu como suplente. Os últimos foram Marco Maciel e José Sarney, Roberto Campos, Barbosa Lima Sobrinho, Afonso Arinos Sobrinho, Oscar Correa, Menotti del Picchia, Assis Chateaubriand e Luiz Vianna Filho. Já FHC foi eleito depois de ser parlamentar.

Uma consulta aos sites do Senado e da Câmara mostra a brutal queda na qualidade de nossos políticos. O que, aliás, explica muito o que estamos assistindo em termos de escândalos.

E os políticos em tempo integral eram figuras cercadas de respeito e admiração. Inclusive os que exerceram o mandato indireto, de 78 a 86, os chamados biônicos, escolhidos pelos partidos entre seus melhores quadros, como Amaral Peixoto, do Rio, Murilo Badaró, de Minas, Dinarte Mariz, do Rio Grande do Norte, César Cals, do Ceara, João Calmon, do Espírito Santo, Arnon de Melo, de Alagoas, e Tarso Dutra, do Rio Grande do Sul. Todos figuras de destaque.

Quem chega ao Congresso Nacional é pelo voto popular. Portanto, é preciso mais atenção na escolha dos candidatos.

Fortalecer a democracia, e suas instituições, é interesse do povo. Um país com estabilidade política é mais fácil chegar à estabilidade econômica e à paz social.

Estes anos de crise na economia mostram que escolhas mal feitas custam caro justamente aos mais humildes, os trabalhadores. Estes é que perdem o emprego. Os afortunados podem sofrer perdas, mas continuam a levar praticamente a mesma vida, sem afetar a estabilidade das famílias.

A democracia não pode ser um luxo para poucos, mas, sim, um benefício para todos e uma proteção aos menos favorecidos!!!

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