Histórias E Estórias #56

Eça de Queirós divide com Machado de Assis o título de melhor texto em português. Eça por parte de Portugal e Machado pelo Brasil. Mas ambos lidos e conhecidos nos dois países.

Como viveram no final do século XIX, em que as viagens eram complicadas, nunca se encontraram pessoalmente, mas mantiveram uma amizade por cartas e Machado chegou a criticar alguma coisa do romancista que marcou aqueles anos, e é sucesso até hoje. Em 2001, foi sucesso na Globo a minissérie Os Maias, baseada na obra de Eça.

O escritor português viveu seus últimos anos em Paris, como Cônsul de Portugal e tinha como grandes amigos brasileiros, como Domício da Gama, Joaquim Nabuco e, principalmente, o paulista Eduardo Prado, filho de D. Viridiana, que recebia o que havia de melhor no mundo intelectual de Paris em seu belo apartamento da Rue de Rivoli. Muita gente garante que o paulista aristocrata e intelectual de primeira, fundador da Academia Brasileira, é que teria inspirado o português em seu delicioso livro A cidade e as serras.

Sua personalidade é percebida, até nossos dias, pelos livros que foram nos pratos referidos por ele em seus romances, pelas ruas lisboetas e propriedade no interior cenário de seus livros. Além das suas cartas reunidas em livros, sua amizade fraterna com Ramalho Ortigão e muito mais.

Eça escrevia regularmente para o jornal Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, era sucesso, mas reclamava muito dos brasileiros que imprimiam seus livros aqui clandestinamente, onde ele tinha muitos leitores e zero de direitos autorais, que lhe faziam falta, pois tinha orçamento curto. Certa vez, perdeu a paciência ao saber das edições pernambucanas de seus livros e desancou Recife e seu povo. Foi uma demorada polêmica, inicialmente reunidas no livro Farpas, mas que, no final, o próprio Eça alterou em sua obra com uma nota de rodapé em que ele dizia que as críticas aos “ brasileiros”, na verdade, era aos portugueses que retornavam ricos e com hábitos exóticos.

O fato é que o genial escritor tinha a ironia e o espírito crítico exacerbado. Ridicularizava muito a sociedade portuguesa, como se nota em toda sua obra, era anticlerical e não gostava da monarquia. Bem diferente de Machado, que ninguém sabia o que pensava de política e de políticos.

Quem acompanha o debate entre escritores nos dois países da mesma língua não encontra de lá para cá outras referências mais fortes. Mas ambos, com mais de um século de mortos, estão presentes em todas as livrarias. Vale a leitura!

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