Histórias E Estórias #55

A história do Brasil começa a ser melhor estudada, com base em dados e documentos, e não mais apenas nas narrativas românticas sem fundamento na realidade de cada momento. Ponto mais importante nos parece ser a questão da Independência, que, na verdade, se deu em 1815, quando o Príncipe Regente D. João VI elevou o Brasil a Reino Unido de Portugal. Ou seja, nos colocou no mesmo plano, duas nações e um único reino.

Em 1822, deu-se a separação de Portugal, rompendo, portanto, o Reino Unido. E mais: sem tirar o mérito heroico e simbólico do “grito do Ipiranga”, a documentação recebida em São Paulo pelo nosso Príncipe Regente, futuro D. Pedro I do Brasil e D. Pedro IV de Portugal, se referia à reação brasileira às instruções de Lisboa, não as aceitando. Esta atitude se deve à personalidade de D. Leopoldina, que respondeu do Rio de Janeiro, orientada pelo patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva. Logo, deixamos de ser colônia e Reino Unido em 1815 e nos separamos de Portugal, em 1822, no 7 de setembro, que, daqui a cinco anos, vamos comemorar o segundo centenário.

Mesmo assim, a situação não ficou resolvida ali, pois as tropas sediadas na Bahia, sob o comando do bravo General Madeira, identificado com a vontade das Cortes de Lisboa, reagiram. E só se renderam em 1825, tendo sua resistência custado mais de duas mil vidas.

O historiador e pesquisador paulista Dalton Salas está em viagem de estudo ao Porto, para levantar em algumas entidades, como a Ordem Terceira, os projetos de igrejas construídas no século XVIII, em Minas e no Rio de Janeiro. Dalton faz parte do grupo de pesquisadores que acompanha o brado do historiador mineiro Augusto de Lima Junior, pondo em dúvida a controvertida existência e vasta obra do mito denominado “Aleijadinho”. É importante ressaltar que, em Portugal, não há citação ao referido artesão e, no Brasil, elas são – e as primeiras surgiram meio século após seu desaparecimento. Belo trabalho sobre a questão foi publicado em Portugal, de autoria do historiador Oyama Ramalho, do Instituto Histórico de São João Del Rei.

Outro ponto que começa a ser melhor explicado foi a intervenção militar que levou a deposição do Imperador e a chamada Proclamação da República. É que tudo se passou em menos de 48 horas, entre o envolvimento do Marechal Deodoro, que pensava estar depondo o governo do primeiro-ministro Visconde Ouro Preto e não o Imperador, e o embarque da Família Imperial. A população do Rio de Janeiro e o Parlamento só tomaram conhecimento, e de maneira vaga, com o Imperador em alto mar.

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