VISÃO A PARTIR DE LISBOA

Portugal vive um intenso momento político e econômico, com uma coalizão de esquerda que reúne ponderados e desequilibrados. Os primeiros procuram acertar politicamente os pontos mais frágeis nas contas públicas, acatando um mínimo de cortes. Afinal, este governo tem um viés populista e altamente demagógico. Tanto que restaurou feriados que haviam sido cortados para ficarem na média Europeia e diminuiu para 35 horas a jornada do funcionalismo, ameaçando fazer o mesmo no setor privado. Já tem até quem defenda restrições ao pedágio em suas excelentes estradas. Percebe-se, no entanto, que, no fundo, os socialistas não marxistas querem evitar confronto com a União Europeia.

Apesar de tudo, o turismo vive seu melhor momento, com a rede hoteleira com ocupação plena. O emprego preocupa, mas, logo que a legislação avance no sentido do bom senso, a situação melhorará. Na área da cultura, o ministro é um velho conhecido (e amigo) dos brasileiros. O ex-cônsul no Rio Luís Castro Mendes poeta e homem do mundo. E acaba de incorporar ao catálogo nacional o rico acervo das santas casas, iniciativa que deveria ser imitado no Brasil, incluindo as igrejas de mais de dois séculos, como muitas do Rio e de Minas.

Outro tema positivo é a questão da saúde, com o médico de família, simplificando e informando a população de tal maneira que, muitas vezes, evita a procura pelos postos de atendimento. Fenômeno de audiência na televisão é o programa do médico João Ramos, que também faz sucesso com o livro Um médico para toda família – o que nos faz lembrar as décadas da obra do saudoso pediatra Rinaldo Delamare, no Brasil.

No mais, infelizmente, o drama dos bancos continua, como em toda a Europa. Itália, Espanha e Portugal vão sofrer com os problemas dos seus, começando pelos estatais. E houve quem criticasse o PROER de FHC, que deu segurança ao nosso sistema bancário.

Enfim, o mundo anda globalizado também em seus problemas, suas crises e a presença de uma ordem democrática em que os menos esclarecidos influem tanto quanto, senão mais, do que os mais responsáveis. O Papa anda preocupado com razão.

Contudo, Portugal se favorece por estar fora do eixo do terror. A França já vive seu pior ano no turismo de alta temporada e as medidas de segurança, necessárias, são irritantes nas estradas e aeroportos. O clima de guerra dificulta a economia, que pede reformas urgentes. Um ano complicado!

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