Um Basta No Toma Lá, Dá Cá

O deputado Julio Lopes, do Rio, fez a proposta mais razoável neste momento político, que seria os partidos darem ampla liberdade ao presidente Temer. O objetivo é deixá-lo formar uma equipe de notáveis e não uma colcha de retalhos fruto do condenado toma lá, dá cá, com as diferentes legendas.

Temer havia pensado em cortar vinte  ministérios, acabou em três voltou a dez e temo que hoje não corte nenhum ou acrescente mais alguns. A realidade do Brasil é outra e políticos e magistrados ainda não perceberam isso em toda profundidade. Transparência, austeridade, ordem, bom senso dominam o pensamento nacional. Não somos mais um país manipulável, com o avanço dos meios de comunicação, em especial a Internet. Pela primeira vez, o batido chavão dos manifestantes é uma realidade: o povo não é bobo!

Ninguém pensa na volta dos militares pela via de uma intervenção; os tempos no Brasil e no mundo são outros. Mas anular a presença militar na mesa das grandes decisões nacionais está provado que não é conveniente. E briga com a tradição de nossa história.

Essa demora entre a decisão da Câmara e a votação do Senado, certamente, não atendeu ao interesse do país. Ficamos um mês com uma presidente que sairia e com outro que entraria. Em plena crise na economia e no social, por causa do desemprego. Esta legislação tem de ser revista para casos futuros.

O desgaste dos políticos, com episódios grotescos como o encenado pelo deputado Waldir Maranhão, desgasta a confiança no regime democrático, que tem se mostrado sólido entre nós ao longo desta crise. Talvez o afastamento do deputado Eduardo Cunha, em meio ao processo e a poucos dias do seu final, tenha sido uma precipitação – hoje cercada de suspeitas que também não colaboram para o respeito às instituições republicanas. Intimidados, com medo de serem acusados de defensores do parlamentar, não se ouve uma palavra de ponderação, com a interferência forte do Judiciário no Legislativo. No mínimo, e está provado, a decisão do STF foi precipitada, dando margens a tristes interpretações.

A história reservou a Michel Temer uma imensa responsabilidade. Tem de pensar mais na imagem que vai deixar e servir aos interesses nacionais do que atender a este ou aquele grupamento parlamentar, ou amigos de sempre. Claro que não se chega até onde chegou sem um mínimo de espírito crítico.

É preciso que todos entendam o que aspira o Brasil, o povo unido, acima de partidos e de ideologia.

O povo sofre!

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