PRIVATIZAR COM VONTADE

O programa de privatizações do governo será impecável quando a iniciativa de alienar empresas que podem ser melhor geridas pelo setor privado ganharem em eficiência e em disponibilidade para novos investimentos. Esta história de setores “estratégicos” é mero pretexto para manter o Estado controlando o que não deve. Convenhamos que, na realidade em que vivemos, deveria haver uma vontade política mais forte, uma objetividade maior e muito mais pragmatismo para que as coisas viessem a acontecer com a velocidade necessária.

Como a modalidade de venda é por leilões, na qual ganha quem oferece mais –  preservadas, é claro, as pré-condições relativas aos investimentos necessários para a melhoria ou maior oferta dos serviços –, a coisa seria simples. Bastaria apenas que o governo assumisse riscos trabalhistas, fiscais e ambientais, para que as licitações fossem feitas no curto prazo. Elaborar “modelos”, é conversa de quem quer posar de vendedor, mas não quer vender nada.

Antes de licitar estradas, por exemplo, o governo deveria resolver pendências que levaram algumas concessões ao fracasso e em locais de grande visibilidade. Por exemplo, a BR 040, no trecho que liga o Rio a Belo Horizonte, é emblemática. No trecho até Juiz de Fora, saindo do Rio, obras estão paradas e a estrada, em péssimas condições logo no trecho Rio-Petrópolis, por problemas entre a empresa, que está em concordata, e o TCU. Com isso, as obras estão paradas há mais de um ano. E o governo não reúne as partes para definir um novo quadro e tocar o trabalho. Entre Juiz de Fora e BH, outra concessionária está sem investir, pois não consegue a licença ambiental. Como é que o governo licita sem condições de execução das obras?

Muito barulho e pouca objetividade. A venda da Light, anunciada pela Cemig, é outra farsa. A turma não quer largar o osso e vai ficando nesta verdadeira masturbação de tentar vender, mas sem vender.

O Brasil já aceita vender o que só oferece maus serviços, tarifas altas e prestação precária de serviços. Mas falta a cultura do liberalismo, falta limpar as agências reguladoras do aparelhamento por técnicos avessos à livre empresa, ao lucro. Temos, hoje, centros de estudos econômicos liberais, como Instituto Atlântico, Instituto Von Mise, de excelência intelectual no trato de questões econômicas, além de entidades de classe conhecidas como as associações comerciais.

Por que não ouvir esta turma?

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