O TEMPO É FUNDAMENTAL

Os atores deste processo de impeachment precisam atentar para a importância de que tudo venha a ocorrer o mais rápido possível.

Para um lado ou para o outro, a velocidade é fundamental no sentido de se ter uma orientação segura no enfrentamento da crise na economia, com milhões de desempregados, milhares de falências, colapso em serviços essenciais como a saúde.

Mais do que apostar na condenação ou absolvição da presidente, todos devem se unir para que tudo se resolva com celeridade. O país (principalmente, os mais pobres) não aguenta este desgaste paralisante, uma vez que a vida continua e não é possível a postura insensível dos que se prendem a preciosismos políticos ou jurídicos.

A presidente Dilma já acenou com um pacto nacional contra a crise, no qual se supõe estejam medidas de estímulo ao empreendedor, com menos burocracia e menos carga fiscal. Seus companheiros, quase todos de pensamento de esquerda, precisam adotar postura pragmática para que a crise não se agrave ainda mais. E, para tal, fortalecer o ministro Nelson Barbosa é um meio natural.

A oposição, afinada com o vice-presidente, endossa a carta do PMDB de muito bom senso e sentido liberal para a retomada do crescimento que é urgente. O Judiciário é parte importante neste processo na medida em que deve de evitar intervir em assuntos da competência e responsabilidade do Poder Legislativo. Este é político e, como tal, tem autonomia para tratar de questões ligadas a seu papel institucional.

A votação na Câmara dos Deputados, naturalmente, mostrou pragmatismo de políticos comprometidos com o interesse público e a voz das ruas. Caso do Rio de Janeiro, que, exceto a bancada do PT e seus aliados do PC do B, PSOL e REDE (os dois últimos compostos de ex-petistas), votou com coragem. E, no caso do deputado Leonardo Picciani, líder do PMDB, com dignidade.

O eleitor precisa entender e interpretar o voto de seus deputados. Picciani votou com coerência, pois defendeu, no processo todo, a posição do governo. Assim como o deputado Alessandro Molon (REDE e ex-PT) foi coerente com a sua formação de esquerda. Os deputados Marco Antonio Cabral e Pedro Paulo, que deixaram o Executivo para a votação, não se esconderam e acompanharam a maioria de seus eleitores.

A votação foi livre, os deputados assumiram a responsabilidade política de seu voto. E cabe à sociedade respeitar e interpretar.

O importante agora é que a questão seja resolvida dentro dos prazos e o decidido respeitado.

O povo sofre.

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