Mito e Messias

Rio – Comparando o histórico de nossas eleições na segunda metade do século passado com as atuais, choca a queda na qualidade dos políticos em disputa. Parece que vivíamos em outro país.

Logo em 1950, disputavam a presidência o Brigadeiro Eduardo Gomes, de reputação ilibada, o correto político mineiro Cristiano Machado e o estadista Getúlio Vargas, que voltou ao poder nos braços do povo a que serviu com correção por 15 anos. Eleição em alto nível.

Em 1955, a disputa também se deu entre brasileiros ilustres e respeitados. Foram eles: o Marechal Juarez Távora, profundo estudioso dos problemas nacionais; o intelectual Plínio Salgado, criador do Integralismo e membro da famosa Semana da Arte Moderna; o ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, autor das primeiras grandes obras públicas do Brasil, nas rodovias e no Hospital das Clínicas, até hoje o maior de São Paulo; e o governador de Minas e ex-prefeito de Belo Horizonte JK, que venceu o pleito.

O Senado, naqueles anos, reunia o que existia de ilustre no Brasil. Do Rio, então capital, tínhamos homens da dimensão de Mozart Lago, Gilberto Marinho e do General Caiado de Castro e, do antigo Estado, Miguel Couto Filho. De São Paulo, Auro Moura Andrade; de Minas, Benedito Valadares e Artur Bernardes Filho; da Bahia, Luiz Viana Filho; do Rio Grande do Norte, Dinarte Mariz e Kerginaldo Cavalcanti; de Pernambuco, João Cleofas e assim por diante.

Em 1960, a qualidade começou a cair com o inacreditável Jânio Quadros, que venceu o medíocre Marechal Lott, e o ex-governador Adhemar de Barros, candidato mais uma vez. Mas os estados elegeram ainda uma boa safra, com Carlos Lacerda, na Guanabara, Magalhães Pinto, em Minas, e Ney Braga, no Paraná.

O período militar aproveitou grandes valores, mas cometeu o grande erro de não cuidar da renovação, da criação de novas lideranças. Afinal, no final do período, os líderes de então já estavam aposentados ou muito idosos.

A Constituinte ainda abrigou notáveis. Entre eles: Roberto Campos, Bernardo Cabral, Ibrahim Abi-Ackel, Amaral Peixoto, Nelson Carneiro, Roberto Cardoso Alves, Marco Maciel e Sandra Cavalcanti, entre outros.

Domingo o povo brasileiro deu uma lição em suas elites, de todas as tendências. Escolheu o seu Messias, dada a gravidade da crise, um homem simples, bem intencionado, sem partido forte, sem recursos, sem demagogia em suas propostas, todas realistas, sinceras. O primeiro a surgir do povo e não de um movimento político ou ideológico. E quase foi crucificado como o Messias bíblico. Vai escalar seu time entre os melhores, como o outro escolheu os discípulos.

O povo entendeu.

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