LONGE DA DEFINIÇÃO

Há meio século comecei aqui, em O DIA, a coluna “Falando de Política”, aos domingos. Foram muitos os pleitos que testemunhei e pude analisar. Não existe eleição pré-definida, algumas apenas com indícios, como a de Jânio Quadros, em 1960. Foi um fenômeno, muito auxiliado pela indiferença de JK em fazer seu sucessor, preferindo um imprevisível Jânio, que, certamente, não atrapalharia sua volta em 1965. Por isso, deixou prosperar o candidato das esquerdas, o ingênuo Marechal Lott.

Por causa da longa experiência, observo ainda ser cedo para se definir qual o candidato que irá ao segundo turno disputar com o deputado Bolsonaro. Temos quase 150 milhões de eleitores neste país continental em que muitos candidatos são  pouco conhecidos.

Nem as eleições estaduais  entusiasmam o eleitor. Faltam líderes carismáticos no país. Uma plateia pequena e de elite domina o noticiário e o debate, mas com total indiferença popular. As classes médias, formadoras de opinião, muito divididas. O empresariado não encontra um consenso, sendo restrito o núcleo que se interessa em saber e  comentar os programas dos diferentes candidatos.

Todos têm de respeitar a realidade do quadro e do contingente eleitoral. O eleitorado mais consciente, com perfil ideológico ou com percepção do que pode ser melhor para o país não agravar a crise em que encontra, não deve atingir a 15% dos 150 milhões de eleitores. Portanto, não será surpresa se a abstenção, nulos e brancos sejam significativos.

O dever de todos, especialmente os que participam do pleito como governantes ou magistrados, é preservar a ordem e o respeito à posição de cada um. Intolerância, agressões de qualquer ordem, pregação de ódios e liberação de ressentimentos não constroem democracia nem a felicidade do povo. Baixaria não vai dar votos!

Parece evidente que a maioria dos eleitores não recebe bem acusações, a verdade  sacrificada, a  tentativa de se intimidar candidatos ou instituições que compõem o Estado de Direito.

Destempero e falta de educação não vão beneficiar nenhum candidato. A voz que prevalecerá nas urnas será a da maioria silenciosa. Esta, aliás, sempre soube votar, atendendo a realidade de cada momento.

Daqui a 20 dias, o quadro eleitoral poderá ser bem diferente!

You might also like More from author

Leave A Reply

Your email address will not be published.