LEMBRANDO MAGALHÃES PINTO

 Passei os primeiros 20 anos de minha vida profissional (1964-1984), convivendo com um dos personagens mais importantes da vida nacional naquele tempo. Trata-se do governador de Minas Gerais Magalhães Pinto, um homem superior pelas qualidades humanas, o espírito público na política, o sucesso empresarial e a visão moderna do mundo e do Brasil em seu tempo.

Esse homem, que aniversaria neste mês de junho, dia 28, quando governador de Minas, construiu o então maior estádio moderno do Brasil, o Mineirão, que oficialmente se chama Estádio Magalhães Pinto, e implantou a gestão moderna e proporcionou a Minas grandes avanços na sua economia. Dirigente da UDN e líder civil da Revolução de 64, recebeu de JK uma carta que fala da sua grandeza de alma e caráter.

Depois de ser eleito, o deputado mais votado do Brasil foi convidado pelo presidente Costa e Silva para ser chanceler, quando deixou as marcas de sua visão de estadista. Criou a denominada “diplomacia da prosperidade”, certamente na qual se baseou o atual chanceler José Serra, que direciona o Itamaraty para a atuação voltada a estimular parcerias comerciais importantes para ajudar a saída desta imensa crise que atravessamos. Sua sensibilidade de homem de estado o colocou sempre adiante de seu tempo.

Como empresário e banqueiro, fundou o Banco Nacional, o primeiro que acreditou na função social, cultural e econômica de um estabelecimento de crédito. Tendo como seu principal executivo no grande salto do banco, nos anos 1960, seu sobrinho José Luiz de Magalhães Lins, até hoje considerado gestor de carisma e visão singulares, criou a carteira de crédito pessoal, o cheque personalizado, o apoio ao cinema novo, ao setor editorial e ao uso maior da propaganda para se comunicar com o mercado. Entrou para a história da publicidade brasileira a campanha do “banco do guarda chuva”.

O Banco Nacional foi pioneiro ainda na criação de um fundo fechado de pensão, a dar participação nos lucros aos empregados. E foram seus companheiros no banco brasileiros notáveis como Murilo Macedo, ministro do Trabalho, José Aparecido de Oliveira, Antonio Rocha Diniz, além dos filhos a partir dos anos 1970.

Fundado em Minas, foi no Rio que o banco se projetou nacionalmente. E chegou a ter a maior rede de agências na capital, superando o até então maior banco local, o Boavista.

Esses exemplos devem ser lembrados neste momento em que o país pede renovação na maneira de fazer política, que precisa crescer com pragmatismo e credibilidade. E o faço com Magalhães Pinto, pois na mocidade tive oportunidade de trabalhar diretamente com esta figura competente, mas também de imensa bondade.

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